Incorruptivelmente Maligno

Eu não engajo intelectualmente com apologistas do nazismo ou comunismo. Quem eu acho que não merece uma resposta, eu simplesmente não respondo. Entretanto, o instantaneamente infame “Pol Pot Revisitado” de Counterpunch tem uma passagem impactante:

As pessoas que mandam nos Estados Unidos, Europa e Russia querem apresentar todas alternativas à seu mando como ineptos, sanguinolentos ou ambos. Eles odeiam líderes incorruptíveis, seja Robespierre ou Lenin, Stalin ou Mao – E Pol Pot. Eles preferem líderes malandros e os colocam no poder.

Eu não sei se o autor está certo sobre “as pessoas no comando dos Estados Unidos, Europa e Russia.” Mas ele tem meu número. Tanto quanto sei, Robespierre, Lenin, Stalin, Mao, e Pol Pot foram extraordinariamente  incorruptíveis, e eu os odeio por essa característica.

Por quê? Porque quando seu objetivo é assassinato em massa, a corrupção salva vidas. A corrupção te seduz ao caminho mais fácil, a se conciliar, a concordar em discordar. Corrupção não é um veneno que faz tudo pior. É um agente diluidor como água. A corrupção faz políticas boas menos boas, e políticas más menos más.

Eu li milhares de páginas sobre Hitler. Eu não me lembro do registro de nenhum ínfimo sinal de “corrupção”. Como Robespierre, Lenin, Stalin, Mao e Pol Pot, Hitler era um fanático assassino sincero. O mesmo acontece para a maioria dos maiores vilões da história – Leia o clássico de Eric Hoffer, The True Believer. Sinceridade é superestimada. Se somente alguns desses monstros farisaicos tivessem sido hipócritas corruptos, milhões de suas vítimas poderiam ter barganhado e comprado sua saída do inferno.

Bryan Caplan, traduzido daqui.

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Nação Robin Hood

Título Original: Imoral Além da Redenção.

Por Walter E. Williams

Benjamin Franklin, estadista e signatário da nossa Declaração da Independência, disse: “Somente um povo virtuoso é capaz de liberdade. Conforme nações se tornam corruptas e viciadas, elas tem mais necessidade de senhores.” John Adams, outro signatário, ecoou um enunciado similar: “Nossa Constituição foi feita para um povo moral e religioso. Ela é completamente inadequada ao governo de qualquer outro.” É hoje os americanos virtuosos e morais, ou nós nos tornamos corruptos e viciados? Vamos pensar isso com algumas questões.

Supomos que eu vejo uma idosa vulneravelmente encolhida numa calorosa grelha em um inverno mortal. Ela está com fome e com necessidade de abrigo e atenção médica. Para ajudar a mulher, eu caminho até você usando de intimidação e ameçaas e demando que você me dê $200. Tendo tomado seu dinheiro, então eu compro comida, abrigo e assistência médica à mulher. Serei eu ser culpado de um crime? Uma pessoa moral irá responder afirmativamente. Eu cometi furto por tomar a propriedade de uma pessoa e dar a outra.

A maioria dos americanos iria concordar que seria furto sem levar em conta o que eu fiz com o dinheiro. Agora vem a parte difícil. Continuaria sendo furto se eu fosse capaz de convencer três pessoas a concordar que eu deveria tomar seu dinheiro? E se eu conseguisse 100 pessoas a concordar – 100,000 ou 200 milhões de pessoas? E se invés de pessoalmente tomar seu dinheiro para dar assistência à mulher, eu me juntasse com outros americanos e demandasse ao Congresso a usar os agentes de Serviço de Renda a tomar seu dinheiro? Em outras palavras, pode um ato que é claramente imoral e ilegal quando realizado privadamente se tornar moral quando é feito legalmente e coletivamente? Colocando de outra forma, a legalidade estabelece moralidade? Antes de responder, tenha em mente que escravidão era legal; apartheid era legal; as leis nazistas de Nuremberg eram legais; e os purgos estalinistas e maoistas eram legais. Legalidade sozinha não pode ser o guia de pessoas morais. A questão moral é se é correto tomar o que pertence à uma pessoa para dar a outra o que não lhe pertence.

Não me entenda errado. Eu pessoalmente acredito que prestar assistência ao próximo em necessidade tirando do próprio bolso é louvável e loureável. Fazendo o mesmo tirando do bolso alheio é despicável, desonesto e digno de condenação. Algumas pessoas chamam as doações do governo caridade, mas caridade e furto legalizado são duas coisas inteiramente diferentes. Mas no que concerne à caridade, James Madison, o conhecido pai da nossa Constituição, disse, “Caridade não é parte do dever legislativo do governo.” Ao meu conhecimento, a Constituição não foi amendada para incluir caridade como um dever legislativo do Congresso.

Nossa atual crise econômica, tanto quanto a européia, é um resultado direto de uma conduta imoral. Pelo menos dois-terços à três-quartos do nosso orçamento pode ser descrito como o Congresso tomando a propriedade de um americano e dando a outro. Segurança Social, Cuidado Médico são responsáveis por aproximadamente metade do gasto federal. E então há o bem estar das corporações e subsídios agrários e milhares de outros programas de gastos, como vale alimentação, bem estar e educação. De acordo com o Departamento do Censo de 2009, aproximadamente 139 milhões de americanos – 46 por cento – recebe doações de um ou mais programas do governo, e aproximadamente 50 por cento não tem obrigações tributárias.

Em face de nossa calamidade financeira, o que nós estamos debatendo? Não é sobre a redução ou eliminação da conduta imoral que está nos levou aonde estamos. É sobre como nós vamos pagar por ela – nominalmente, tributando o rico, sem entender que mesmo se o Congresso impusesse um imposto de 100 por cento naqueles que ganham mais que $250,000 por ano,somente daria para manter o governo funcionando por 141 dias.

Ayn Rand, no seu livro A Revolta de Atlas, nos lembra que “Quando você dá como mal os meios de sobrevivência, não espere que os homens permaneçam bons.”

Traduzido daqui.

O Perigo da Bondade

Título Original: O Perigo da Bondade: Porque a Lei Bíblica Importa a Todos.

O Criador tendo imprimido Sua imagem na humanidade, a justiça é frequentemente ensinada não em maneiras convencionais e escolásticas, mas de acordo com maneiras misteriosas e etéreas. Outro dia, por exemplo, eu tive um sonho no qual eu tornei-me amigo de um hamster. Ele vivia ao lado da minha casa de infância, e eu dispendia meu tempo indo visitá-lo, conversando por pouco tempo, e carregando ele na minha mão. mas então veio um momento no sonho ao qual uma terceira parte entrou. Um gato, sorrateirando de inquisitividade infantil, invadiu a cena, e antes de eu ter uma boa chance de compreender a situação, eu o encontrei pulando em direção ao meu amigo com intento nocivo.

Numa questão de segundos, o sonho se azedou: uma reação literalmente instintiva conheceu o gato com meus pés, e a força do golpe mandou ele voando para um carro, que sua cabeça acertou com uma pancada fatal. E enquanto eu olhava o gato, eu podia ver a vida fugindo de seus olhos, um olhar falecido me sondando de um pequeno rosto peludo, o peso do momento transformando minha alegria em tragédia com a qual não podia mais caminhar.

Esse sonho, é claro, não é tão fantástico como eu preferiria. Até mesmo sem hamsters e gatos, há frequentemente um perigo no bem que não pode ser negado em circunstâncias cotidianas, uma dor nascido do triunfo, e uma tragédia da justiça. Há uma mulher que eu conheço que entende essa dor bem, que lacrimeja quando eu leio as Leis de Deus (Êxodo 20-23), em reconhecimento do que poderíamos ter sido, mas todo dia escolhemos não ser. Ela não vê a conquista do bárbaro pela Lei, o estabelecimento da ordem sobre o mal, como aquela pequena República de Genoa que colocou a palavras Libertas sobre uma cadeia pública, em lembrança que liberdade é a subjugação de indivíduos e coletivos tiranos. Antes disso, ela vê violência sob violência, sangue desnecessariamente derramado, a pena da lei um amargo salve que não pode unir junto os pedaços de uma humanidade já partida. Foi fácil à primeira vista dispensar suas lágrimas como fraqueza, uma inabilidade de compreender e louvar o trabalho prático da justiça divina. Mas agora eu sei que ela lamenta porque ela está menos removida da glória que nós estamos destinados a ter, mas frustamos por quase toda ação. Sou eu quem esqueceu o Jardim do Éden.

Adicionando confusão à miséria, o doloroso processo de justiça não é nem mesmo simples. Às vezes abandona liberdade por segurança; em outras, segurança é trocada por liberdade. Há vezes que requer aceitação; outras em que necessita divisão. Em certas circunstâncias, clama por piedade; em outras, por espada. Em algumas, caridade; em outras, frugalidade. Resumindo, há sempre um preço a ser pago pelo bem, uma decisão a ser feita, gestada com adversidade, que acerta o olho destreinado com uma aparência de virtude sacrificada, quando em fato a verdadeira bondade requer que toda virtude simplesmente fique em formação. Como o sagaz sr. Chesterton disse uma vez, uma decisão é uma escolha consciente de não fazer nada mais.

É fácil ver onde essa forma de pensar leva. Toda ação tem uma reação. Toda boa jornada é um caminho novo. Desconstrua a sociedade da Lei divina, e você é deixado em um mundo onde toda ação ferroa e toda justiça é uma injustiça. O homem que gasta seu dinheiro com sua família está esfomeando crianças na África; o casal que gasta seu tempo assistindo o por do sol é negligente em encontrar e abrigar o sem-teto antes do frio chegar.

Se esse é o caso com decisões simples, então não pode ser menos sério quando justiça legal é o assunto. Quando contamos a uma mulher a manter seus votos maritais, ela pode nunca encontrar o homem que iria tratá-la melhor. Quando nós matamos um assassino, nós podemos estar exterminando o próximo Billy Graham. Quando nós não provemos um sistema de saúde universal, o doente irá falir. E quando declamarmos nós mesmos como tendo uma identidade nacional, nós necessariamente implicamos que certos tipos de homens são simplesmente indesejáveis. Em resumo, pessoas com normas universais sempre tem uma reclamação; eles são os eternamente dessatisfeitos Por qualquer que seja a decisão, sempre tem um benefício, e sempre algo é perdido. Cada movimento, cada lei, todo credo tem um preço.

A pergunta, então, se é para os homens serem justos, se sequer temos o direito de agir ou ter lei. Por que toda lei há algumas desfavoráveis consequências para alguém, certamente há alguém que pode ser tido por responsável por aquela consequência. Isso é, em essência, a própria natureza da justiça pública: responsabilidade apropriada por malfeitos e, ocasionalmente, por indevidos sofrimentos.

Quem, então, quem então é responsável? Que sofrimentos relacionados à lei precisam ser endereçados, e quais precisam ser ignorados? É fácil dizer que o poder está nas mãos do povo, que eles tem o direito de determinar qual caminho querem tomar; é popular, de fato, e eu duvido que algum homem irá sofrer perseguição por dizê-lo. Mas se homens tem uma total liberdade das normas divinas, então é justo dizer que todos são culpados.

E isso me traz a um ponto muito importante. Eu tenho ouvido muitos Cristãos dizerem, com uma indignação moralista e ignorante, que a Lei de Deus é um anacronismo, algo que perdeu toda a relevância sob a morte de Cristo, como se Jesus desceu para fazer toda ordem pecadora e todas normas ofensivas (algumas as quais, eu suponho, são normas em si mesma). Mas a Lei Mosaica é muito mais que isso. É uma declaração que devendo o homem capitanear os confins prescritos da justiça real, ele então é responsável por todos seus resultados negativos. Ela em essência declara que Deus Mesmo prefere os efeitos negativos de um sistema aos negativos de outro, e em vez de acorrentar os homens, ele os liberta em um mundo em que inovação política é um parquinho, os portões em que nenhum tirano e seus associados de boa vontade podem entrar. Ele concede ao homem as chaves de um automóvel de civilização, requerendo que ele dirija dentro das linhas e estradas pavimentadas. Quando Deus comandou justiça à viúva, ele não dizia do nosso jeito; Ele dizia do Seu, e Ele deu direções legais em como fazer de forma justa. Cristo não veio então nós descuidadosamente abandonamos Sua justiça. Ele veio para que nós a personifiquemos, e sermos desculpados de qualquer outra falsa definição (Jeremias 31:31-34).

Mas com esse entendimento vem um aviso. Assim como seguir as Leis de Deus liberam os homens de responsabilidade indireta, a desobediência requer sua culpa. Uma sociedade que recusa a defender a castidade e casamento; então é responsabilizada por cada criança abandonada. Um povo que se recusa a dar sustento para os pobres desesperados; eles então são responsáveis por todos que dentro de suas fronteiras morrem de fome. Uma nação que não respeita métodos de taxação biblicamente aprovados, e transfere riqueza para vagabundos; é então responsável por furto estatal, e o sofrimento resulta em colapso econômico. Uma comunidade que não executa o assassino e o estuprador; então são responsáveis pelo sangue derramado, e mulheres violadas (Deut. 21:1-9). Uma sociedade que dá licença ao usurário; então é responsável pelo enforcamento de um pobre preso em dívidas (Deu. 23:19). Pode ser dito que homens são julgados de acordo com seus pecados: isso muito é verdadeiro. Mas algumas vezes pecado é nada mais que a aprovação de males, consenso e proteção dadas às injustiças divinamente proibidas e o mal de outros. Em essência, há pecados coletivos tanto quanto há individuais; e pecados coletivos são meramente falhas pessoais defendidas publicamente.

Se é assim, então como exatamente a Lei Divina deixa a humanidade? Em uma palavra, livre. Nós temos responsabilidade ordenadas em uma hierarquia celestial; além destes, nós somos liderados individualmente. A própria vida sem pecados de Jesus é testamento de que o homem não precisa apoiar toda causa, nem curar toda doença, nem terminar toda pobreza; que o homem pode descansar, que ele possa ir às montanhas para comungar com seu Pai em vez de pregar aos perdidos, que ele gaste dinheiro em banquetes e aceite presentes. E considerando as fortes respostas ao mal, quando o gato injustamente ataca, porque nós entendemos a perspectiva do céu sobre auto-defesa, responsabilidade por todas as repercussões negativas são dele, não nossa. Quando o hamster clama por socorro, nós corremos em sua defesa: nós destruímos a injustiça na fonte. Nós falamos suave e carregamos um porrete; nós amamos todos os homens, e toleramos nenhum mal; nós desembarcamos o capelão nas praias da Normandia, e levamos o Evangelho aos sentenciados de morte. Porque Sião não consiste na permissão do mal. Ela resulta da presença de Deus, e do triunfo do bem sob a corrupção. Governo, como Thomas Paine observou, pode ser a insígnia da inocência perdida, mas não é em si mesmo um retrocesso; ele simplesmente reassegura um desejo coletivo em direção à restauração da humanidade. A pergunta é se sim ou não escolhemos restaurar, ou se desfiguramo-nos ainda mais; se nós caminhamos de volta para casa, ou se nós caminhamos para longe dela. E se nós somos de Cristo, não é o caminho plano?

É hora de considerarmos as palavras do Apóstolo Paulo, que toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instrução e reprovação (2 Tim 3:16). É hora de considerar as palavras de Jesus, que se amar o próximo é a suma da Lei, então a suma da Lei – da justiça de Deus, da igualdade, dos direitos e deveres inteiramente inalienáveis – é amar o próximo (Mateus 22: 34:40). Sim, salvação em si não é obtida por obras, mas pela fé sozinha em Cristo sozinho (Isaías 45:22); mas salvação muito mais que uma promessa supersticiosa: é a transformação de uma vida inteira, um caminho colocado pelo Todo-Poderoso, uma série de boas obras preparadas em avanço para os crentes fazerem (Efésios 2:8-9). Não devemos ignorar a metade da sentença de Cristo que nos faz sentir inconfortáveis: há uma porta estreita, mas também há um caminho apertado (Mateus 7:13-14).

Isso compreendido, vamos trazer a Lei na discussão, vamos arrazoar uns com os outros, vamos trabalhar juntos como membros de uma nação divina, para ver o que podemos aprender dos mandados pessoais de Deus. Ambos lados, democratas e republicanos, liberal e conservador, irão achar muita coisa aceitável e talvez muito mais até ofensivo. Mas se nós simplesmente nos recusamos a discutir as normas divinas, como podemos dizer que vivemos fielmente? O que assevera a razão, o Espírito Santo energicamente proclama – homem não pode viver apenas do pão, mas de cada palavra que vem da boca de Deus.

Traduzido daqui.

Propósito do Governo

Título Original: Refutando a acusação de blasfêmia: uma pequena dissertação sobre o propósito Bíblico do governo.

Pode o Estado realmente fazer os homens bons algum dia?

Em meses recentes, este autor foi acusado de blasfêmia por um de seus amigos intelectuais, alegadamente sob a questão política acima. Mas embora a questão é simples, e a acusação à primeira vista parece ser um caso isolado, a acusação sob maior inspeção vai mais além do que eu mesmo, e abrange uma colisão entre duas muito diferentes, mas frequentemente definidos inapropriadamente, doutrinas: aquelas do Cristão libertário e do conservador Bíblico. E essa colisão teológica e política que eu procuro explicar, se o leitor aguentar comigo.

A doutrina fundacional, sob o qual a discussão ocorre, é a que se segue: homem, sendo condenado por Deus como completamente mau, e não tendo esperança de redenção aparte do sacrifício e aceitação de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, não pode ser feito bom por ninguém senão Deus. Esse trabalho de regeneração espiritual, inteiramente causado pelo Todo-Poderoso, e inacessível ao esforço humano aparte da graça, é sozinho agraciado a aqueles que herdarão o Reino de Deus, e é a razão sola pelo qual o Reino pode existir; e reinos terrenos, havendo tanto regenerados como degenerados desigualmente dispersados sobre eles, não se pode esperar mais do que viver como sombras (se até mesmo isso) da futura glória celestial.

Nesses pontos, embora eu não acredito que ele entenda porque, meu detrator e eu concordamos. Sua acusação consiste na idéia que homem é imperfectível por meios humanos, e então intentar as normas de justiça proposta pelo Próprio Deus na Bíblia (com a qual a tradição Inglesa concorda, de acordo com John Locke no Segundo Tratado sobre o Governo e Comentários sobre as Leis da Inglaterra de Sir William Blackstone, entre tantos outros) significa uma usurpação do poder ao qual somente Deus mesmo possui: a transformação do coração humano. Em essência, embora eu não acredite que seja sua intenção, ele implica que outra norma legal não-Bíblica é necessária, para que homens não atentem a verdadeira justiça, e “se pretenda Deuses.”

Sobre isso nós discordamos, pois ambos nossos sistemas de lei propõe um fim similar: que a persuasão religiosa do homem são escolhas individuais, mas aquelas a qual cuja razão se torna dominada pelo pecado é matéria de punição pela lei. Seu sistema, sendo totalmente libertário, reconhece apenas algumas infrações como impermissíveis (estupro, assassinato, roubo, etc); o meu condena um escopo mais amplo, limitado somente pela Lei moral contida no Velho Testamento – nem sacerdotais, nem leis de pureza sendo impostas. Mas porque eu reconheço que certos males biblicamente condenados são processáveis ao qual ele discorda (por exemplo, adultério), como estes não envolve a destruição da propriedade ou sujeição involuntária ele enxerga uma justiça biblicamente baseada como um infringimento ao direito de pensar, e então caricatura meu sistema como clamando o poder de mudar corações. Ele então condena minha posição como blasfema.

O apóstolo Paulo foi claro sobre o propósito de governo, que ele existe para punir o mal e premiar o bem (Romanos 13:1-5), e o reconhecimento de Paulo do valor divino de cada governo – estes governos sendo não Israelita – mostra que governos podem desviar-se, em meios apropriados, dos métodos de punição. Portanto, todo governo não precisa espelhar o código Mosaico em tudo para cumprir seu papel. Mas até mesmo se métodos de governo variem na busca pela justiça, essa variação nunca exclui o propósito de governo dado por Deus: punir o mal, e premiar o bem. Se uma sociedade aceita o mal, e pune o bem, ou de acordo com os apóstolos Pedro e João em Atos 4:19, se ele busca contradizer os mandamentos do Todo-Poderoso, ele então opõe-se ao próprio propósito com o qual Deus permite sua existência. A definição de mal de meu detrator é baseada na vigente norma liberal ocidental, garantindo autoridade somente à opinião popular na contradição do mal; a minha é baseada na palavra escrita de Deus, e permanece só sob a palavra (Os apóstolos mesmo nos comandou à obedecer às autoridades [1 Pedro 2:13-17], mas eles mesmos requeriam desobediência sobre injustiça (atos 4:19), como alguma lei pode ser legítima, se não ponderadas pelas normas divinas?).

Meu oponente libertário é correto em condenar conversão à ponta da espada, mas errado quando ele confunde um intento Bíblico de justiça por um intento de conversão. É verdadeiro que as crenças de alguém são somente delas, e que conversão é um ato de Deus; mas quando falhas de caráter resultam em mal, o governo frequentemente precisa necessariamente intervir, frequentemente denotando grande diferença entre livres e escravos. O primeiro vive sem necessidade de governo, e então são verdadeiramente livres, o último roga às próprias correntes com todo vício, e todo ato de ilegalidade. E enquanto certos homens podem rotular como totalitário um governo que impõe uma norma impopular sobre um povo sem lei, isso deveria levar todo homem pensante a assombrar-se se a sociedade moderna não confunde democracia com a própria justiça. Um povo pode preferir injustiça, mas essa preferência não faz seu governo justo; liberdade não é confinada por processos democráticos, mas é uma busca da justiça divina contra o injusto.

Indo além, vamos não apenas considerar os historicamente reverenciados filósofos como Platão e Locke (veja A República e Segundo Tratado), mas com efeito a palavra de Deus, e toda pessoa sensível, quando eles unanimemente concordam que este mesmo princípio de moralidade externa é sobre toda sociedade, quando aos pais são garantidas autoridade sobre filhos, simplesmente para que o caráter das crianças possam se desenvolver segundo as Leis da Natureza (novamente, Lei melhor definida pelas Escrituras). Se meu detrator acredita que minha posição sobre-abrange e blasfema, então ele deve estar disposto a renunciar todos seus clamores à autoridade parental, e requerer o mesmo de outros também, porque autoridade parental garante certos direitos aos homens sobre outros sob o único propósito de desenvolvimento de caráter. E se ele não está disposto a admitir que o governo fornece incentivo à conformar-se a um certo padrão de justiça, contra a vontade de alguns, ele então precisa dar um exemplo de como sequer o governo deve existir, sem contradizer as crenças de uma minoria imoral.

Se eu sou um blasfemo, então ele é um também, pois ambos assumimos que sob a falha moral de um indivíduo, o estado é para pressioná-lo com a lei. A diferença entre nós não é tanto que eu acredito que possa mudar os corações dos homens, mas que ele e acredita que a justiça de Deus é isolada, e inaplicável a ninguém mais senão o Cristão e o Judeu. Eu não tenho nada a acrescentar sob esses princípios de justiça, e sob a palavra de Deus; e se eu devo basear-me sob outras normas, então eu digo me provem errado.

Traduzido daqui

Significado de Teocracia

Título Original: O Significado de Teocracia

Por Reverendo R.J. Rushdoony

Poucas coisas são mais comumente mal entendidas que a natureza e significado da teocracia. É comumente assumida a ser um regime ditatorial de homens auto-apontados que dizem governar por Deus. Na realidade, teocracia em lei Bíblica é a coisa mais próxima a um libertarianismo radical que se pode ter. Em lei Bíblica, o único imposto civil era por cabeça ou capitação, o mesmo para todos homens de vinte anos de idade e mais velhos (Êxodo 30:16). Esse imposto provia uma expiação ou proteção para o povo, i.e., a cobertura da proteção civil pelo estado como um ministro da justiça (romanos 13:1-4). Esse imposto muito limitado foi continuado pelos judeus após a queda de Jerusalem, e, de 768-900 A.D., ajudou a construir o principado Judeu de Narbonne (na França) e outras áreas um reino muito importante e poderoso (veja Arthur J. Zuckerman: A Jewish Princedom in Feudal France 768-900; New York, N.Y.: Columbia University Press, 1965,1972). Esse imposto era limitado à meio shekel de prata por homem.

Todas as outras funções do governo eram financiadas pelo dízimo. Saúde, educação, bem estar, culto, etc., eram todos providos por dízimos e ofertas. Deste dízimo, um décimo (i.e., um porcento do salário) iam para os clérigos, para culto. Talvez uma quantia igual ia para a música, e para a manutenção do santuário. O dízimo era o imposto de Deus, para prover um governo básico do jeito de Deus. O segundo e o terceiro dízimo proviam para o bem estar, para o lazer familiar e reunião diante de Deus(ver E.A. Powell and R.J. Rushdoony: Tithing and Dominion: Ross House Books, P.O. Box 67, Vallecito, Califórnia 95251).

O que hoje falhamos em ver, e precisamos recapitular, é o fato que o governo básico é o auto-governo do homem do pacto; então a família é a instituição governante central da Escritura. A escola é uma agência governamental, e também é a igreja. Nossa vocação também nos governa, e nossa sociedade. Governo civil precisa ser uma forma de governo entre muitos, e um menor. Paganismo (e culto à Baal em todas suas formas) fez o estado e seus regentes em um deus ou deuses caminhando na terra, e deu a eles governo total sobre todas as esferas. Os profetas denunciaram essa idolatria, e os apóstolos mantiveram, “Melhor obedecer a Deus que os homens” (Atos 5:29)

Dos dias de Césares como cabeça dos estados democráticos e impérios marxistas, o incrédulo tem visto o que cristãos muitas vezes falham em ver, nomeadamente, que a fé Bíblica requer e cria um governo rival ao estado humanista. Fé defectiva procura reduzir a fé bíblica a um mínimo centrado no homem, salvação. Agora salvação, nossa regeneração, é um ponto de começo absolutamente essencial da vida cristã, mas, se é feita totalmente disso, é em efeito negada. Salvação então é feita centralizado no homem e um negócio egoísta, quando é em fato Deus-centrada e requer a morte, não o entronamento, de nosso pecaminoso e auto-centrado ego. Nós somos salvos para os propósitos de Deus, salvos para servir, não em tempo, mas eternamente (Apocalipse 22:3). Ser salvo é ser membros da nova criação e do Reino de Deus, e ser trabalhadores desse reino.

Numa teocracia, portanto, Deus e sua lei regem. O estado pára de ser o suserano regente do homem. O imposto de Deus, o dízimo, é usado por homens de Deus para criar escolas, hospitais, agências de bem estar, conselhos, e mais. Ele provê, como foi nas Escrituras, por música e mais. Todas as finanças sociais básicas, além do imposto capitular de Êxodo 30-16, era provido por dízimos e ofertas ou presentes. Uma oferta ou presente era aquilo dado como valor acima do dízimo.

Como nenhuma das agências do dízimo tinham poder coercivo para coletar fundos, nenhuma podia existir além do útil serviço para Deus e para o homem. Para o estado moderno, inutilidade e corrupção não é problema; isso não limita o poder de coletar mais impostos. De fato, o estado aumenta seu poder de taxação porque é mais corrupto e mais inútil, porque sua burocracia crescente demanda.

O Senador do Estado da Califórnia H.L. “Bill” Richardson tem repetidamente chamado atenção ao fato que, uma vez eleito, os oficiais públicos atendem somente sob pressão pelos eleitores mas mais pelos pares e seus superiores. Perdendo a fé, eles são governados pelo poder.

As pessoas podem reclamar da irresponsabilidade de seus oficiais eleitos, e sua subserviência a seus pares e superiores, mas nada vai alterar esse fato que uma mudança na fé do eleitorado e do eleito. O Homem irá responder e obedecer o poder dominante em suas vidas, fé, e perspectiva. Se esse poder dominante ou deus nas suas vidas é o estado, eles vão reagir a isso. Se é o homem, ou seu próprio ego, eles serão governados por isso. Se, entretanto, é o Deus triuno das Escrituras que os governam, então o homem irá responder e obedecer a Sua palavra-lei. O homem vai obedecer seus deuses.

Um dos livros mais importantes desse século foi Our Enemy, The State (Caxton Printers, Caldwell, Idaho, 1935ff.) de Albert Jay Nock. Sem concordar com Nock em tudo, é necessário concordar com ele que o estado moderno é a nova igreja do homem e instituição salvadora. O estado entretanto, é uma instituição anti-social, determinada a suprimir e destruir os históricos poderes religiosamente fundamentados da sociedade. Com F.D. Roosevelt e o The New Deal, o objetivo dos estatistas se tornou abertamente “a completa extinção do poder social através de absorção pelo estado” (p.21). Este irá continuar em seu curso suicida, até que não haja mais sobra de poder social para financiar os planos do Estado (como se tornou o caso em Roma). A intervenção estatal em todo domínio é financiada pela produtividade do setor econômico não estatista: “Intervenção retarda produção; então o fardo e inconveniência resultantes permite mais intervenção, que em seu turno aumena o retardo da produção; e esse processo vai até, como em Roma, no terceiro século, produção termina completamente, e a fonte de pagamento seca (p.1510. É verdade que crime necessita supressão, mas em vez de suprimir o crime, o Estado garante seu próprio monopólio do crime.).

Nós podemos adicionar que a solução para o crime e injustiça não é mais poder para o estado, mas a lei de Deus e um homem regenerado. A melhor segurança contra o crime é homens de Deus e uma sociedade de Deus. Além disso, a lei de Deus, em lidar com o crime, requer a restituição, e com criminosos habituais, a pena de morte (veja R.J. Rushdoony: Institutes of Biblical Law)

Outro importante ponto de Nock: ele chamou atenção ao fato que “poder social” uma vez tomava conta de todas as emergências, assistências e desastres. Quando a enchente em Johnstown ocorreu, todo auxílio e socorro foi o resultado de uma grande levante de doações “privadas”. “Sua abundância, medida por dinheiro sozinho, foi tão grande que quando tudo foi colocado em ordem, algo como uma quantia de um milhão de dólares sobrou” (p.6)

Essa foi uma vez a única maneira pelo qual se respondia a essas crises. Pode acontecer de novo? O fato é que está acontecendo de novo. Hoje, entre 20-30% de todas as crianças na escola, crianças de 12, estão em escolas não estatizadas, e pode passar 50% em 1990 se cristãos defenderem suas escolas do intervencionismo estatal. Mais e mais cristãos estão reconhecendo seus deveres pelo cuidados de seus pais, igrejas, e novamente assumindo, em muitos casos, o cuidado de membros idosos. Casas para anciães, e também para crianças delinquentes estão sendo estabelecidas. (Uma das mais famosas destas, sob a liderança de Lester Roloff, está sob ataque do senado, que recusa reconhecer o pecado como um problema básico com delinquentes, e regeneração e santificação como resposta.) Cristãos estão movendo-se em áreas do rádio e televisão, não mais somente para pregar salvação mas para aplicar as Escrituras à política, economia, e outras áreas.

Além disso, em todo lugar cristãos estão se perguntando, que preciso fazer, agora que eu sou salvo? As perguntas tomam uma variedade de formas: livros publicados para escolas cristãs, periódicos, e mais. A necessidade de reviver e extender hospitais cristãos está sendo reconhecida, e mais, muito mais.

Isaías 9:6-7 nos conta que, quando Cristo nasceu, o governo era para estar em Seus ombros, e que “o aumento desse governo e paz não terá fim.” Por meios dos seus dízimos, e ações, crentes estão em número crescente submetendo-se ao governo de Cristo e reordenando a vida e sociedade em seus termos.

A essência do humanismo, de Francis Bacon até o presente, tem sido esse credo: para ser humano, o homem precisa estar em controle (Jeremy Rifkin com Ted Howard: The Emerging Order, p.27.). Esse é um jeito indireto de dizer que o homem não é homem a menos que o governo de todas as coisas esteja sob seus ombros, a menos que ele seja ele mesmo deus. É essa a expressão do programa de revolta do tentador contra Deus (Genesis 3:5). John Locke desenvolveu sua fé insistindo que Cristianismo é um assunto privado, não um tema público. Cristianismo então não poderia ser a base de atividade pública mas somente uma fé privada. A fundação do estado e da vida pública estava para Locke, na razão.

Mas a razão, separadas da fé cristã e pressupostos, se torna a vontade do homem, ou, melhor, a vontade do homem em independência radical de Deus. O estado estão inicia a reivindicar uma área da vida atrás da outra como domínio público e portanto abaixo do estado como razão encarnada. Uma das primeiras coisas reivindicadas pela filosofia de Locke e “razão” foi o próprio homem! Homem, em vez de ser um pecador, era, ao menos nos domínios públicos e humanos, moralmente neutro; ele era um pedaço de papel em branco, e o que ele se tornaria seria um produto de educação e experiência. E então foi sentido necessidade do estado, a voz encarnada da “razão”, de controlar educação em ordem de produzir o tipo de homem desejado.

O Estado reivindicou o domínio público. O domínio público pertenceu, em termos da fé cristã, a Deus, como todas as outras coisas, e uma sociedade livre sob Deus. A igreja foi escarsamente deslocada de seus títulos sob o domínio público quando o estado veio a reivindicar com poderes ainda mais totais. Mas isso não foi tudo. O estado alargou o domínio público por novas definições, então rapidamente, uma esfera atrás da outra caiu nas mãos do estado. Educação foi reivindicada, e controle sobre a economia, um controle que agora está destruindo o dinheiro e baixando a produtividade social e econômica. As artes e ciências são subsidiadas e controladas, e estão mendigando por mais. Casamento e família estão controlados; a White House Conference on the Family vê a família como pública e portanto domínio estatista, um que o estado deve invadir e controlar.

Roma antiga tinha a religião como domínio público e portanto licenciava e controlava (a própria palavra liturgia, grega em origem, significa serviço público. Religião é verdadeiramente um tema público, mais do que o estado, mas não um tema de controle estatal.). Roma, como todos os estados pagãos antigos, equacionava o domínio público com o domínio do estado, e via todas as coisas como aspectos do domínio do estado.

Para qualquer instituição ver a si mesma como domínio público é totalitarismo. Todas as coisas públicas e privadas estão sob domínio religioso e abaixo de Deus. Nenhuma instituição, nem a igreja nem o estado, pode equiparar-se com Deus e reinvidicar controle sob o domínio público (ou privado). Toda esfera da vida é interdependente com outras esferas e idênticas sob Deus. Não mais que matemática tem o “direito” de controlar biologia que a igreja ou o estado tem o “direito” de controlar um ao outro, ou qualquer coisa além de suas severamente limitadas esferas de governo.

Há portanto uma variedade de esferas de governo sob Deus. Essas esferas são limitadas, interdependentes, e abaixo do soberano governo e lei-palavra de Deus. Eles não podem legitimamente exceder sua esfera. Os poderes de legitimidade financeira de todos são limitadas. O estado tem um pequeno imposto sob cabeça. O dízimo financia todas as outras esferas.

O dízimo, isso deve ser enfatizado, é para Deus, não para a igreja, diferença que alguns clérigos escolhem não ver ou não prestar atenção. Isso rouba do crente individual todo direito de reclamar sobre as coisas; pelo uso divino de seu dízimo, ele pode criar novas agências, igrejas, escolas, e instituições para aumentar o reino de Deus em toda área da vida e pensamento. Sacralidade advém não de nossas habilidades de reclamar e lamentar as coisas como são, mas por nosso uso fiel do dízimo e do poder que Deus nos dá de refazer todas as coisas de acordo com Sua palavra.

Dizimar, e ação divina, essas são as chaves do domínio. Nós somos chamados ao domínio (Genesis 1:26-28; 9:1-17; Josué 1:1-9; Mateus 28:18-20; etc.). O mandato da criação é nosso mandato; restauração no pacto através da expiação de Cristo nos restaura no mandato de exercer domínio e nos dá poder de efetivá-lo.

Aspectos desse mandato podem ser exercidos através de instituições, e algumas vezes devem ser, mas o mandato não pode nunca se render a elas. O mandato precede todas as instituições, e é para o homem pessoalmente como homem (Genesis 1:28). Isso é o coração da teocracia como a bíblia apresenta. Dicionários ao contrário, teocracia não é um governo pelo estado, mas um governo sob qualquer instituição por Deus e Sua Lei, e através das atividades do homem livre em Cristo a trazer toda área da vida e pensamento sob o Reinado de Cristo. (Agosto, 1980)

Traduzido Daqui

Polícia do Sobrenatural

Título Original: Policiando O Sobrenatural Ou Porque as Pessoas Modernas Não Podem Acreditar Em Milagres.

Pela compreensão de todos, Modernidade data seu nascimento em 1648 na Paz de Vestfália. A Paz de Vestfália findou a Guerra dos 30 Anos e estabeleceu a moderna relação entre a Igreja e Estado. Parte disso foi a criação de um sistema interno do Sacro Império Romano que deu irrestrito controle da Igreja para o Estado Secular. Outras confissões de fé seriam toleradas (por exemplo, Luteranos em territórios Católicos), mas seus cultos teriam de ser privados e ocorrer em lugares e horários determinados pelo Estado Secular. Estrutura da Igreja e doutrina eram para ser ditados pelo soberano.

Devemos observar que essa particulares relações sociais não são simplesmente circunstâncias neutras. Eles inculcaram nas pessoas, e também pressuporam, uma particular estrutura ôntica da realidade. Então, por exemplo, restrições ao Cristianismo para o reino privado e a total subordinação da Igreja ao Estado ambos devem pressupor certas verdades sobre religião e sua autoridade, assim como certas coisas sobre metafísica.

O que então daí se assume? Especificamente, ele assume que criação é em si como um reino auto-contido e autônomo. Deus, religião, e o sobrenatural estão divididos desse reino na segura região da consciência (i.e., a “privada” antes que “pública” prática da religião) e o transcendente. Logo, contrário à antigas tradições cristãs de ambas lei natural e tipológica interpretação Escritural (ambas as quais assumem um padrão de eventos históricos e a estrutura da natureza possui significado inerente.), não é inerente significado da realidade. Realidade é um reino neutro, autônomo, feito de causas materiais, discernível e facilmente controlados por racionais e autônomos sujeitos humanos centralizados (pense Descartes e Bacon). Humanos podem da perspectiva de sua subjetividade superimpor significado nos neutras causas e eventos materiais. Mas isso é julgamento subjetivo e privado que não podem ser apurados no reino público como o real e o objetivo.

Por essas pressuposições, se torna claro do porque religião, ciência e seculariedade emergiu do jeito que que foi nesses recentes poucos séculos. Como podemos ver, no fundo, a emergência da Modernidade tem pouco a ver (como nós somos constantemente contados na narrativa Liberal do progresso!) com os inícios da investigação racional da realidade, o reconhecimento da dignidade humana, e a destruição da autoridade arbitrária (de fato, se alguém buscar a história da Modernidade, o oposto acontece! Mas isso é outro post). Antes, a insistência moderna na divisão de fato/valor, como a insistência que um apelo às causas materiais sobre sobrenaturais é inerentemente mais racionais, é simplesmente um subproduto de uma certa narrativa social da realidade que emergiu das modernas relações entre Igreja e Estado. Em suma: o reino do material, onde o Estado possui o monopólio do controle, é o reino do real.

Logicamente falando, o Estado Secular pode somente controlar causas materiais. Ele não pode controlar causas sobrenaturais. Dizer que há causas que não são materiais mas sobrenaturais, é colocar certas realidades fora do controle do Estado. Isso parece altamente perigoso, desde que a intervenção de clamores sobrenaturais sobre o mundo real resultou em extrema disrupção social. De fato, isso é o que os arquitetos da modernidade acreditaram que aconteceu durante a Guerra dos 30 Anos. Luteranos, Calvinistas, e Católicos havia todos competitivas alegações sobre autoridade sobrenatural. O estado, não podendo restringí-los, foi tragado a essa guerra longa e irracional. Autores ingleses viam a guerra civil inglesa em muito da mesma forma. É claro, não é bem assim que aconteceu, mas é assim que eles acreditavam ter acontecido e então eles consideraram importante remediar isso.

Por essa razão, não surpreende que Thomas Hobbes (por exemplo), começa Leviatã com uma visão materialista da natureza humana. Em outras palavras, se tudo é material, então o Estado pode controlar tudo e então não haverá outra guerra civil inglesa (i.e., uma guerra sobre verdades sobrenaturais). Voilá, Hobbes aceita que o estado irá possuir uma religião, mas que o rei ou quaisquer que seja o soberano terminará tendo direito de interpretar a Escritura. Interpretação contrária é socialmente disruptiva e então o Estado tem o direito de suprimí-las. No Contrato Social, Rousseau nos conta que o Estado deve simplesmente criar uma religião que irá impor seu monopólio em poder. Não importa o que ela ensina, mas se as pessoas a contrariar elas devem ser mortas. Os revolucionários franceses seguiram esse aviso, e estabeleceram a “Deusa da Razão” na Catedral de Notre Dame.

Isso também coloca Liberalismo teológico em nova perspectiva igualmente. Para não dizer pior, Liberalismo teológico tem pouco a se recomendar puramente sobre bases lógicas. Bispo Spong nos conta que não não podemos acreditar em milagres. Mas porque não? É um silogismo fácil: se Deus é Deus e portanto o criador, ele pode fazer tudo. O nascimento virginal cai na categoria do “tudo”. Igualmente água em vinho, a Encarnação e todo o resto. Mas quando você perceber que a narração social da realidade da Modernidade restringe a religião ao reino do julgamento privado (valor e não fato!), então fará mais sentido do porque Liberalismo teológico tem maior apelo.

Primeiro, considerando interpretação Bíblica, as Escrituras seriam simplesmente renarradas na base da moderna distinção entre fato/valor. Se nós admitirmos que o sobrenatural já ocorreu, então significa que o real não está restrito ao material e portanto o monopólio do Estado Secular seria quebrado. Daí o empreendimento de modernos estudos críticos da Bíblia, inventados por Spinoza e Thomas Hobbes no (adivinha!) meio do século 17, simplesmente vai à bíblia e redescreve o texto como um produto de iminentes forças sociais em vez de sobrenaturais. Tem esses estudiosos acesso à essas forças sociais? Não. Podem eles provar que elas existiram? Realmente não. Apesar disso, o que falha logicamente e historicamente, funciona para as pessoas modernas num nível retórico. Para alguém que foi aculturado a ler toda a realidade na base de puras causas materiais controláveis pelo Estado, seria um pleito especial ler as Escrituras diferentemente (nós ouvimos isso algumas vezes na alegação de ler a bíblia como “um livro como os outros”). Desde que a Escritura ainda possa prover “significado” e “valor” (Mesmo que ouvimos que eles são fatualmente falsos em vários níveis), nenhum dano teológico é feito (como eles dizem!). De fato, se você participar de um colégio protestante ou seminário mainline (como eu) reconhecer essa distinção de fato e valor como uma base de interpretação Escritural é visto como sinal de maturidade teológica. Pensando que “essas coisas realmente tinham que acontecer” para serem verdades teológicas em si, é vista como algo infantil. É algo que as pessoas irão superar assim que elas maturarem e aprenderem mais.

Logo, Liberalismo teológico (e outras formas de teologia moderna) tende então a restringir sua teologia ao valor e significado. Isso pode ser visto em maior ou menor grau. Para pessoas como Schleiermacher, Cristianismo é totalmente sobre a experiência de absoluta dependência mediado por Jesus. As alegações históricas para isso são necessárias (Jesus teria de existir e ter superior Consciência Divina), mas mínimas. De novo, teologia e Deus estão restritas ao reino privado e interior. Eles não são perigo aos clamores do reino secular. Neo-Ortodoxia (de ambas variedades Barthianas e Bultmannianas) também se alinham nisso. Barth em um grau menor por sua piedade, entretanto ilusória retórica de transcendência; Bultmann (e Ebeling com ele) com sua inversão de relacionamento Reformacional entre fé e a Palavra de Deus. Por essa razão, Cristo “ergueu-se na mente dos discípulos” e toda aquela conversa oca. Em vários graus, teologia impõe “significado” ao reino dos “fatos”. Sendo significado privado, ela perde a força de verdades públicas sobre como a realidade realmente funciona e então perpetua o estabelecimento modernista, deste modo reforçando o irrestrito poder do Estado de controlar cada aspecto da vida humana – incluindo seus ditados do que constitui o real. Alternativamente, quando teologia fez clamores sobre como o reino público devia ser regido, ela é vista como destrutiva (i.e., o movimento anti casamento-gay.) ou útil ao grau de fazer o jogo da narrativa Iluminista de progresso (i.e., teologia feminista e da libertação).

Traduzido daqui.

R.I.P. Conservadorismo

Título Original: Conservadorismo está Morto; Longa Vida ao Conservadorismo?

Por Selwyn Duke.

Parece que foi ontem que muitos estavam lendo o epitáfio do liberalismo. Após os anos de Reagan, Revolução Republicana de 1994, recuo das hordas de controle armamentista após a derrota de Al Gore em 2000, e as duas bem sucedidas campanhas presidenciais de George W. Bush, muitos acharam que conservadorismo estava dominante.

Ah, se fosse.

Nós devemos perguntar: Com conservadores como Presidente Bush e muitos dos outros Republicanos, quem precisa de liberais?

Enquanto a mídia tem com sucesso caricaturizado os Republicanos como o partido de manuseadores de cobras e divagações, a diferença entre imagem e realidade é profunda. Bush apenas dilatou o odômetro, propondo à nação os primeiros 3 trilhões. Em matéria pertencente à sobrevivência de nossa cultura – à primazia do inglês, multiculturalismo, a desnudação de nosso setor público do historicamente presente símbolos e sentimentos cristãos – Republicanos deixaram a desejar. E sobre imigração ilegal, tanto o presidente quanto o suposto candidato Republicano favorecem alguma forma de anistia.

Entretanto muitos pintariam a América sob o comando de políticas direitistas, e algumas das razões para isso são óbvias. Alguns liberais sabem que o melhor meio de assegurar constante movimento para a esquerda é retratando o status quo como perigosamente extrema direita. Se você repetidamente denuncia que estamos à beira de uma hegemonia direitista, as pessoas irão assumir que para adquirir “balanço” nós devemos nos mover à esquerda para o centro mítico. Então nós temos conservadores influenciados pelo desejo de natural de viver no mundo como o lugar feliz que eles gostariam de habitar. Tipos ingênuos, eles confundem Republicanos com conservadores, partido com princípios, e guerras eleitorais com culturais. Mas há outro fator: um pode confundir conservador com certo.

Quando é a direita não direita, você pergunta? Quando foi definida pela esquerda.

A definição de “conservador” é fluída, mudando de tempos em tempos e lugar para lugar. Alguns “conservadores” adotam uma ideologia prescrevendo governo limitado – um se mantendo pelas bordas estabelecidas pela Constituição – e impostos baixos. Eles favorecem nacionalismo sobre internacionalismo; preferem mercados quase intocados por regulações; renegam multicuralismo, feminismo, e radicalismo ambiental, e tem orgulho da nossa história e tradições.

Mas também houve outros tipos de conservadores. Na União Soviética, um conservador era o oposto, um comunista. Então quando o político holandês Pim Fortuyn foi assassinado em 2002, BBC News correu a notícia, “Holandês de extrema direita morto à tiros.” “Extrema-direita” mesmo. Fortuyn era bem liberal para nosso gosto; ele era pró-aborto, um ex-professor de sociologia abertamente homossexual marcado como direitista somente porque ele desejava cortar a imigração de islâmicos na Holanda. Além disso, seu medo era que islâmicos zelosos se mostrassem um perigo à estrutura social liberal da nação.

Aqui a pergunta: Que definição de conservador teria um comunista ou um estatista europeu se conformado? Resposta: Aquele que afirma, “Um que favorece a manutenção do status quo.” Isso nos traz a um ponto central:

Como a sociedade é transformada com sucesso por aqueles que detestam o status quo, o status quo muda. Isso significa que o grande defensor ideológico do status quo, conservadorismo, mudará com ele.

“Progresso devia significar que estamos sempre mudando o mundo para se adaptar à visão, no entanto nós estamos sempre mudando a visão.” – Chesterton.

Tanto liberais quanto conservadores tem visões que mudam de forma. Isso é porque a definição de conservador e liberal são determinados pela “posição” de um espectro político de uma dada sociedade. Mude o espectro para a direita ou esquerda por alterar a ideologia coletiva de uma nação, e a definição dessas duas palavras vai mudar comensuradamente com o grau dessa mudança. Isso explica porque Pim Fortuyn é visto como um conservador na Europa Ocidental. Na terra de Liliputianos, até Robert Reich parece um gigante.

Isso não significa dizer que não há diferença na visão entre entre liberal e conservador. Liberais constroem sua visão baseados na oposição às do conservador; a visão dos conservadores é fruto da agora aceita, velha visão da esquerda de décadas atrás. Portanto, liberais promovem a visão liberal de hoje; conservadores defendem a visão liberal de ontem.

“Todo o mundo moderno tem-se dividido entre Conservadores e Progressistas. O negócio dos progressistas é ir adiante cometendo erros. O negócio dos Conservadores é prevenir os erros de serem corrigidos.” – Chesterton.

Talvez uma razão de estarmos perdendo a guerra cultural é que é fácil de convencer as pessos de tentar novos erros liberais que manter os velhos erros liberais que foram tentados e deixados a desejar. Independente disso, nós vamos continuar perdendo a menos que mudamos nosso pensamento radicalmente.

Guerras não são vencidas por serem defensivas. Entretanto conservadores são raramente nada além disso, porque eles foram treinados a confundir defesa por ofensa. Quando 13 estados votaram para banir falso casamento em 2004, alguns proclamaram uma grande vitória para o conservadorismo. Mas só se conservadorismo que você apóia meramente envolve a manutenção de um status quo liberal, para isso foi uma bem sucedida ação de defesa, não uma de ofensa. Quem estava propondo a mudança social ao qual o voto foi uma resposta? A esquerda estava. Que tipo de mudança era aquela? Uma que nos moveria à direção liberal.

Então como sempre. Nós jogamos na defesa quando, em vez de eliminar leis de crimes de ódio, nós meramente lutamos contra propostas que fazem “transgêneros” uma categoria protegida; quando nós aceitamos o Departamente Federal de Educação e simplesmente o usamos para uma reforma “conservadora” na educação (Leia-se: No Child Left Behind Act); quando nós simplesmente tentamos nos assegurar que a separação de igreja e estado é aplicado de forma “conservadora”; quando nós combatemos o povo do imposto-e-gasto por não tributando mas então gastando e quando nós pregamos contra imigração ilegral enquanto aceitamos um regime legal de imigração que rasga nossa cultura.

Em contraste, a esquerda é firmemente ofensiva como é terrificamente ofensiva. Se a trama de seus peões de legalmente redefinirem casamento falha hoje, eles tentarão novamente amanhã. Se um plano de medicina socializada não passar no congresso, ele irá reaparecer cinco ou dez anos depois. Se um novo imposto é muito grande para os gostos atuais, eles esperarão por um paladar mais glutão. Ou eles passarão na surdina um imposto diferente em uma lei que soa inócua ou aceitam um pequeno aumento em um antigo imposto, então outro, e outro, e outro…. eles simplesmente esperam que o espectro político mude um pouco para a esquerda.

Isso me traz a outro ponto importante. Nós frequentemente falamos de meio-termo, mas meio-termo com aqueles que sempre avançam sem nunca recuar é justo? A esquerda propõe novas políticas, concordam por medidas parciais, e então nós deixamos a mesa acreditando que foi um resultado equitativo. O problema é que virtualmente todas as mudanças sugeridas são liberais em natureza, constante meio-termo e ceder concessões garantem constante movimento à esquerda. Então nós vemos antigo território que hoje está sobre ataque, e alegramo-nos quando repelimos alguns dos ataques inimigos. Mas não não entendemos que nós estamos definindo vitória como a redução da taxa de derrotas de nossa área, enquanto o inimigo as define como uma expansão de seu império. Nós consentimos nosso caminho à tirania.

É como um jovem boxeador que nunca bate e, consequentemente, torna-se muito bom em bloquear socos – e habituado a tomá-los. Ele emerge do ringue com um piscar nos olhos pretos e azuis, ilumina um sorriso revelando a perda de dois dentes, orgulhosamente mostrando braços com hematomas e diz, “Olha, pai! Eu bloqueei noventa porcento dos socos hoje! Essa é minha maior vitória até hoje!”

Sim, talvez é uma vitória figurativa desde que seja a exibição de capacidades de defesa. Mas como uma vitória real, engajando oponentes de novo e de novo não traz sequer uma vitória como a de Pirro. Só garante lentas perdas torturantes, injúrias perpétuas e um dia, talvez, um nocaute.

Isso coloca a atual corrida presidencial em perspectiva. Quando alguns Republicanos lamentam a absência de bons “conservadores” nas primárias, eles agem como se nossos candidatos estatistas são trazidos para nós por uma mão invisível, como se sua ascendência foi apesar da cultura e não por causa dela. Na realidade, esses políticos são meramente produtos de uma sociedade que está à tempos nas mãos de operativos gramscianos na academia, na mídia e Hollywood, esquerdistas que tem montado sua mensagem, tramado, indoutrinado, e re-engenhando socialmente o público por décadas.

Além disse, nós podemos realmente dizer que estes candidatos não são conservadores? Com o espectro político havendo mudado tão à extrema esquerda, talvez pessoas como Bush, McCain e Huckabee realmente são conservadores atuais, defensores do status quo estatista.

Talvez, só talvez, nós (eu, e você se estiver comigo) somos algo diferente.

Afinal de contas, eu critiquei Mitt Romney por forçar Massachusettanos a comprar seguro de saúde, mas uma enquete recente indica que a maioria dos republicanos apóiam essa coerção. E se algumas dessas pessoas são “conservadoras,” eu certamente não sou uma delas.

Eu sou um revolucionário.

Eu não quero preservar o status quo, eu quero derrubá-lo. Eu quero puxar as ervas daninhas do estatismo pelas raízes e queimá-las no fogo da liberdade, como nossos Pais Fundadores fizeram. Você acha que eles eram conservadores? Conservadores não começam revoluções; eles simplesmente procuram ter certeza que suas correntes são feitas menos pesadas.

Vitória política repousa na vitória cultural, e mudar a cultura começa com mudança de mentalidade. Nós temos apenas duas escolhas: Nós podemos ser revolucionários.

Ou nós podemos estar errados.

Traduzido daqui.

Guerras Religiosas

Título Original: As Guerras Religiosas e Outros Contos de Fadas

Por William Cavanaugh

O artigo de Russell Blackford é um esforço bem intencionado em atingir um sólido modus vivendi em um mundo onde ateístas, católicos, islâmicos e outros precisam todos aprender a conviver. Sua solução é familiar: vamos pegar aquilo que nos divide – religião, definido como crença sobre matérias extra-mundanas – e privatizá-la. Só então todos nós podemos concordar em público, ao menos como princípio, em meras questões terrenas.

O argumento de Blackford é baseado no familiar “Só Para” história sobre a história européia: era uma vez católicos e protestantes começaram a matar uns aos outros sobre religião. O estado secular salvou o dia por fazer a religião uma matéria privada. Locke é o herói aqui por conceitualizar essa divisão amigável: a igreja iria estar fora da política, e o estado estaria fora da religião. E eles viveram felizes para para sempre.

Por infortúnio, esse conto não se torna mais verdadeiro simplesmente por ser repetido. E um favorito de teoristas políticos liberais – John Rawls, Richard Rorty e muitos outros – mas não pode ser encontrado no trabalho de nenhum historiador respeitável dos séculos 16 e 17.

Para começar com a mais óbvia discrepância, o estado secular não resolver as chamadas “Guerras da Religião” – o primeiro estado no qual igreja e estado estavam formalmente separados fez sua aparição um bom século e meio depois do Tratado de Vestfália. Quando as chamadas “Guerras da Religião” tiveram seu fim, o estado absolutista foi o vitorioso. O caminho estava pavimentado para a deificação de Luís XIV.

Se nós olharmos para as origens dessas guerras, mais problemas com o conto “Só Para” aparecem. Podem ser elas realmente chamadas “Guerras da Religião” se católicos mataram católicos, luteranos mataram luteranos, e protestantes e católicos colaboraram algumas vezes?

Sacro Imperador Romano Charles V passou maior parte da década após a excomunhão de Martinho Lutero em guerra, não contra luteranos, mas contra o Papa. Quando os princípes luteranos pegaram em armas contra o Imperador Católico nos anos 1550, eles fizeram com a ajuda da França Católica.

As “Guerras Religiosas” na França são cheias de colaboração entre católicos e protestantes, e a Guerra dos Trinta Anos – talvez a mais notória das “Guerras da Religião” – viu Cardeal Richelieu jogar todo o poder da França do lado dos suecos luteranos, que por sua vez atacaram a dinamarca luterana. Enquanto os holandeses calvinistas estavam ajudando as forças reais francesas a vencer os calvinistas de La Rochelle, a católica espanha estava apoiando o protestante duque de Rohan na batalha contra a coroa francesa em Languedoc.

As Guerras dos Trinta Anos foi em fato primeiramente uma briga entre os Habsburgos e os Bourbons, duas grandes dinastias católicas da Europa. É isso que Blackford acha ser “Conflitos políticos entre grandes dinastias européias tinídas por religião”.

Não há dúvidas que protestantes e católicos mataram uns aos outros nessas guerras, algumas vezes brutalmente e em larga escala. Mas os exemplos acima e muito mais como estes (Eu cito dezenas no terceiro capítulo do meu livro, O Mito da Violência Religiosa: Ideologia Secular e as Raízes do Conflito Moderno) que colocam uma questão que divide historiadores: foram essas guerras sobre religião ou sobre causas sociais, políticas ou econômicas?

Historiadores variam nas suas respostas. No andar do século vinte por exemplo, historiografia das guerras francesas do século 16 tendiam a diminuir o fator religioso em favor de conflito de classes, mas desde os anos 70 começaram uma nova enfase na religião. O problema com esses debates é que não há distinção relevante entre “religião” e “política” ou outros fatores “seculares” no século 16. Procissões da hóstia eucarística, por exemplo, não eram puramente “religiosas” mas eram parte do reforço de limites sociais da sociedade francesa. Como a historiadora Barbara Diefendorf disse sobre as guerras francesas, “motivos religiosos e seculares eram inseparáveis.” Como o historiador John Bossy aponta, não havia um conceito moderno de religião no século 16.

No período medieval, a distinção religiosa/secular era uma distinção entre dois tipos de padres, aqueles que pertenciam à ordens como os dominicanos e aqueles que pertenciam à diocese. “Religião” como a conhecemos não foi inventada como algo distinto de fatores “seculares” como “política” e “economia” antes de aproximadamente 1700, ou bem depois que a tão chamadas “Guerras da Religião” supostamente ocorreram.

Se “religião” não pode ser separada como a causa dessas guerras, então a idéia de que a paz foi concretizada pelo estado secular colocando a religião em um domínio privado se torna suspeita. Isso não é tão simples porque a culpa para essas guerras não podem ser jogadas nos pés da “religião”, mas também porque a expansão do estado estava de fato implicada na violência. Jose Casanova sugere que em vez de chamá-las “guerras da religião” elas deveriam ser conhecidas como as “guerras da edificação estatal européias”

O fator chave em muitos dos conflitos era a luta entre as elites edificadoras-estatais e as formas de autoridades locais – especialmente aquelas da igreja e baixa nobreza – que ficaram no caminho da centralização. Como Michael Howard resume:

As tentativas das dinastias dominantes da Europa de exercer direitos disputados de herança entre os séculos 14 e 15 ficaram consolidadas, no século 16, em uma concorrência pelos Habsburgs de sustentar uma hegemonia em que eles herdaram sobre a europa ocidental contra todos seus rivais forasteiros e súditos dissidentes, usualmente sob a liderança da frança. O resultado foi um quase contínuo combate na europa ocidental dos luminar do século 16 até o meio do século 17

Em outras palavras, a expansão do estado moderno não foi a solução aos conflitos religiosos, foi a mais significante causa destes.

A invenção da “religião” como algo inerentemente fora do mundo e separada de affairs mundanos “seculares” como política foi uma parte importante desse processo de construção estatal. Se autoridades eclesiásticas podiam ser vistas presidindo uma área da vida que era essencialmente extra-mundana e distinta das políticas mundanas, então o sistema de corte eclesiástica poderia ser desligado, propriedades das igrejas e seus rendimentos podiam ser confiscados, e todas as formas de freios eclesiásticos ao poder do governador civil podiam ser eliminadas. Isso é, em fato histórico, o que acontecia.

A divisão moderna de secular/religioso foi inventado ao mesmo tempo da invenção do estado moderno como um ato final no conflito entre poderes civis e eclesiásticos na europa que estavam acontecendo por ao menos desde a controvérsia da Investidura no século 11, e possivelmente desde a conversão de Constantino.

Embora a divisão eclesiástica/civil vai desde Constantino, a divisão religião/política não. No período medieval, a autoridade civil era “o departamente policial da Igreja” nas palavras de John Neville Figgis. As autoridades da igreja não achavam que sua autoridade eram puramente extra-mundana, nem que cristianismo era essencialmente sobre preocupações extra-mundanas. A meta da Cristandade era construir uma sociedade em que o evangelho permearia todo aspecto da vida, do feitio das leis ao feitio de barris.

Príncipes e bispos disputavam por poder com essa visão em comum e, aumentando depois da controvérsia da Investidura, buscaram caminhos separados. A idéia que a área de preocupação da igreja deveria ser reduzida à “religião”, entendida como essencialmente extra-mundana, foi um profuto do triunfo final da ordem civil sobre a autoridade eclesiástica na nascente europa moderna.

A grande idéia de Locke que, como Blackford coloca, “organizações religiosas estão focadas em doutrinas extra-mundanas e estão mal-adaptadas ao exercício do poder secular” depende da invenção de organizações religiosas que estão focadas em doutrinas extra-mundanas, que simplesmente não existiam antes da era em questão. A idéia que Locke estava simplesmente separando aquilo que ficou embaralhado por fazer uma distinção apropriada entre mundano e extra-mundano – “entre as metas próprias do governo secular e aquelas do ensino espiritual” como Blackford coloca – é errada. Para ser justo como Blackford, mesmo Locke não cria que ele estava inventando algo novo. Ele escreveu.

A igreja mesmo é uma coisa absolutamente separada e distinta da comunidade. Os limites de ambos lados são fixos e imóveis. Aquele mistura céu e terra juntos, as coisas mais remotas e opostas, quem mistura essas duas sociedades, que são na sua origem, fim, negociação e em tudo perfeitamente distintas e infinitamente diferentes uma da outra.

De fato, entretanto, o advento do estado moderno estava provando que os limites eram tudo menos que “fixos e imóveis”.

O problema com o esquema de Locke e Blackford não é que é novo – não há sentido para alguma nostalgia para a Idade Média. O problema é que esse esquema é apresentado como uma solução histórica que realiza a paz reconhecendo a verdadeira natureza das “religiões” como Cristianismo e Islam, quando de fato, ela veio como um processo violento de criação de estados que distorceram o cristianismo, islamismo e outras tradições que perpassam sua dicotomia mundano/extra-mundano.

Uma vez que o jogo está armado nas linhas de distinções mundano/extramundano, o preço da admissão de tradições como cristianismo e islamismo é íngreme. Locke excluiu católicos e islâmicos de seu plano de tolerância religiosa porque ele pensou que suas alianças civis estavam divididas pelas suas alianças à poderes forasteiros.

Blackford pensa que Locke estava sendo consistente em dar razões mundanas em excluir católicos e islâmicos, mesmo que Blackford não acredite que essas razões se apliquem hoje. O que Blackford não vê é que catolicismo e islamismo não encaixa no esquema de Locke de tolerância religiosa precisamente por que eles se recusaram a definir a si mesmos como religiões.

Católicos não aceitaram idéias que eles eram essencialmente extra-mundanos e que então suas lealdades temporais deveriam restar com o rei que engoliu a igreja inteira no seu reino. E do lado dos islâmicos, é comum o comentário que eles não fazem distinção entre religião e política. No Ocidente, isso é visto como evidência de sua perversidade. Como John Esposito comenta, chamar Islamismo uma “religião” já é marcá-los como uma religião anormal, precisamente porque não eles não separam “apropriadamente” a religião da política e assuntos extramundanos de mundanos.

Mas ter Islamismo como uma “religião” anormal é ter como neutro uma descrição terminógica carregada de ideologia ocidental. Islamismo não é anormal por recusar separar o mundano do extra-mundano; como Robert Shedinger comenta, a verdadeira estranheza histórica não é a “politização do Islamismo” mas a “religiosização do Cristianismo.”

Blackford parece pensar que é simplesmente óbvio que cristianismo e islamismo são sobre doutrinas extra-mundanas, e todos nós viemos a concordar em princípio com mundaneidades como política pública sobre sexo se tratássemos essas questões como higiene e saúde pública. Mas cristãos e islâmicos e muitos outros não pensam que sexo é meramente sobre higiene. Pois bem, diz Blackford, só não tente impor essa visão nos outros. Mas crenças sobre o Telos do corpo humano e os fins da sexualidade humana – e portanto, os fins da sociedade humana – não são puramente isolados em assuntos espirituais, e portanto privados.

No mundo de Blackford esse tipo de conversa eminente poderia ser deixada de lado em favor de “padrões seculares apropriados acerca de coisas relevantes desse mundo.” Mas para muitas pessoas, educação sexual que é meramente sobre canalização não é nada de educação sexual. Blackford não parece apreender a possibilidade que para muitas pessoas o aspecto “espiritual” do sexo não é somente algo que é adicionado acima do aspecto “físico” do sexo, como se alguém poderia proveitosamente deixar o primeiro e falar somente do segundo.

Nada disso é dizer que as visões de um cristão, ou islâmico, ou judeu, ou hindu sobre sexualidade humana ou algum outro tema deve prevalecer em uma sociedade pluralística. É em vez disso dizer que em uma verdadeira sociedade pluralística pessoas deveriam ser livres para ser elas mesmas, a falar sobre o que elas vem como os verdadeiros fins da vida ordinária sem acorrentar suas convicções mais profundas.

Nos compramos a idéia de que não podemos discordar de matérias fundamentais sem violência. Eu vejo nenhuma razão, histórica ou outra, que isso deve ser assim. Numa sociedade democrática e plural, pessoas deveriam ser livres para dar qualquer razão pelas suas posições que elas vêem como significantes, mesmo que essas razões sejam teológicas.

A sociedade seria muito mais livre se secularistas deixassem a idéia de que suas razões somente são “mundanas” e entrentanto apropriadas para consumo público. Seria muito mais renovador se ateístas como Blackford abandonasse a pretensão de neutralidade e dissesse que ele acredita que muitas idéias cristãs são malucas. Então nós poderíamos talvez ter uma conversação interessante sobre os fins da vida humana e a melhor maneira política de atingí-las.

Cristãos e islâmicos e judeus e outros poderiam propor visões “mundanas” de uma vida humana florescente com uma dimensão transcendente. E iria tornar-se aparente que ateístas e outros secularistas também tem suas próprias visões que não são meramente “terrestres” e mundanas, mas oferecer uma cosmovisão abrangente que não é essencialmente distinta das cosmovisões que eles excluiriam do discurso público.

A Tolice do Ressentimento

Por Theodore Dalrymple

Há um grupo de pessoas ao qual é moralmente permissível odiar, e quem nesses tempos de códigos de liberdade de expressão é permitido ou até obrigatório falar odiosamente: nomeadamente, o rico. Isso é estranho quando um pensa sobre, pois resentimento econômico foi ultimamente o responsável por mais mortes no último século que ódio racial. Entretanto ser racista é colocar a si mesmo fora da paleta de uma sociedade decente; ser um igualitário econômico é estabelecer sua generosidade de espírito e profundo senso de justiça.

Talvez isso é assim porque as recompensas do mundo não são distribuídas de acordo com a idéia geral de como ela deveria ser distribuída; isso é dizer, de acordo com a escala individual de valores de qualquer um. Elas parecem ser outorgadas por capricho e não de acordo com mérito. Alguns, é claro, meramente herdaram sua riqueza; outros conquistaram de maneiras nas quais não aprovamos ou até mesmo desprezamos. Nem todos os ricos são bem-comportados; de fato, eles podem ser sem tato, ofensivos, vulgares e de mal-gosto. Quando o sr. Ambani construiu seu arranha-céu doméstico em Bombay eu estava espantado não pelo seu gasto (Eu havia até caminhado pelas favelas da cidade) mas pela completa nulidade estética do que ele construiu. Gastar um bilhão de dólares em uma casa e se desviar um pouco da beleza do mundo, é, de alguma maneira, uma façanha; mas uma das funções do rico é a de preservar e aumentar esta beleza. Estes dias eles não fazem um bom trabalho, os ricos esses dias parecem não ter mais bom gosto que o pobre. Alguém só precisa considerar os preços do mercado de arte para entender que de todas as qualidades pessoais, bom gosto é o mais raro.

Ainda, ódio ao rico, que pessoas não hesitam de expressar como se uma virtude fazê-lo, se apoiam fundamentalmente em duas emoções humanas conectadas, ambas não atraentes: inveja e ressentimento. Também se baseia na noção primitiva de que economia é como um bolo de tamanho fixo a ser cortado de acordo com algum plano, justo ou injusto conforme o caso. Nessa visão, um pedaço na boca de um homem é um pedaço tomado de outro. Pobreza é o resultado, então, de riqueza: que é verdadeiro o suficiente se pobreza é definida como certa percentagem de renda comum ou mediana, como é muitas vezes feito. Se você define pobreza como uma ausência de subsistência ou até relaxo, o resultado é outro.

Na França, o Presidente Hollande, que durante sua campanha disse (como se fosse sinal de decência) que ele não gostava do rico – o rico claro sendo aqueles que tem mais dinheiro que ele – impôs um imposto de 75% em pessoas ganhando mais de um milhão de euros ($1.3. milhões) por ano. Inicialmente, a Corte Constitucional rejeitou esse imposto porque a constituição proíbe impostos confiscatórios (França tem uma história desafortunada na matéria de confisco), mas o presidente manteve seus tão-aclamados “princípios”, ao menos até as eleições, e tributou as companhias que pagavam seus empregados mais de um milhão de euros por ano.

Isso enraiveceu os times de futebol franceses, que pagavam muitos de seus jogadores mais de um milhão de euros por ano. Os times de futebol estavam entrando em greve, pois eles não poderiam pagar seus jogadores mais do que aquela quantia, os melhores deles iriam simplesmente ir jogar em países vizinhos.

O regime de pão e circo que é agora reinante na maioria dos países ocidentais é perigosamente dependente da estabilidade de seu circo, e de todos os circos o futebol europeu é de longe o mais importante. O Times de Londres, por exemplo, devota muito mais espaço ao futebol que notícias estrangeiras, e nenhuma figura pública arriscaria mostrar um desinteresse em futebol por medo de parecer Inimigo do Povo. Quando eu ouço conversas nas ruas, futebol rivaliza em importância com affairs românticos. Uma greve de times de futebol portanto é uma matéria séria, se durasse até ou resultasse em dano permanente ao padrão jogado, poderia levar à rebelião social.

Seria desonesto se eu não admitisse que eu acho a quantia de dinheiro pago à esportistas grotesco; mas seus salários, temo, são um reflexo da importância que milhões de meus companheiros cidadãos dão aos esportes. Objecionar a seu salário alto é portanto, objecionar o gosto das massas, no qual seus salários altos são meramente um reflexo. Pessoalmente eu preferiria que as massas tivessem mais gosto pelos meus livros e artigos.

A julgar pelo comentários dos sites franceses (que parecem em harmonia com pesquisas de opinião), o público francês é muito a favor de impostos altos em futebolistas, cujos salários eles resentem até mesmo enquanto é seu próprio interesse, e até obsessão, o futebol que conduz esses salários. (Nós pensamos do Francês como uma nação de intelectuais marginais, mas o jornal diário de esportes, L’ Équipe [O Time] tem uma circulação maior que qualquer jornal de notícias nacional diário, e um que se mantém firme, não como outros jornais)

Porque os franceses – 80% deles, de acordo com pesquisas – querem que os futebolistas sejam mais altamente tributados? Aqui está um comentário típico, embora mais bem articulado que o normal: Si, si il faut tenir sur les 75% et aider les nécessiteux avec l’argent des vaniteux et des footeux. (Sim, sim, nós precisamos apoiar os 75% [tributos] e ajudar os necessitados com o dinheiro dos almofadinhas e jogadores de futebol.)

O efeito do resentimento na racionalização de um homem perfeitamente inteligente é evidente. Primeiro ele assume que a economia é um bolo que pode ser redistribuído sem nenhum efeito sobre o tamanho do bolo a ser distribuído; e segundo ele supõe que o euro tomado pelo estado dos bolsos de um futebolista vai direto para o bolso, sem nenhuma dedução de um estado ineficiente ou ganancioso, dos necessitados (isso é dizer, em um país como a França, aqueles que querem uma TV plana mais larga do que eles já possuem, ou o último iPhone)

O imposto de 75% apela à emoções baixas similares ao racismo: Eu sou pobre porque eles estão tomando de mim algo que eu mereço ter. Era usado dizer que o anti-Semitismo é o socialismo dos tolos, mas o socialismo é o anti-Semitismo dos intelectuais.

Traduzido Daqui.

Erros Ateus Comuns

Todo homem, onde quer que vá, é cercado por uma nuvem de convicções confortantes, que se movem com ele como moscas em um dia de verão.

Bertrand Russell

Ateístas são humanos como todo mundo. Eles encontram conforto em “saber” que estão certos. Absoluta certeza é gostoso. Ateístas podem escorregar em falsos pensamentos assim como crentes podem. De fato, é natural para nossos cérebros manter idéias contraditórias ao mesmo tempo, e todos nós precisamos lutar contra isso. Anteriormente escrevi sobre Quatro Erros Cristãos Comuns. Nesse post, eu quero trazer à luz alguns erros comuns no pensamento ateísta.

Culpar a Religião por Tudo

Religião não é a raiz de todo o mal, mas alguns ateus gostam de achar que é. Richard Dawkins fez um documentário na TV sobre religião chamado “A Raiz de Todo o Mal”, e o subtítulo do último livro de Christopher Hitchens é “Como Religião Envenena Tudo”.

Obviamente, muitos males – incluindo os genocídios ateístas mencionados acima – não vieram da religião. O Mal pode vir de ganância, pobreza, vergonha, desejo, boas intenções, amor, raiva, drogas, e muitas outras fontes.

E eu acho difícil acreditar que religião envenena tudo. Religião envenena a matemática? Arte Renascentista? Navegação? Chapéus?

Mitos Pró-Ateístas

Todo grupo de pessoas recontam a história de uma maneira que lhes favorece. Liberais e conservadores, socialistas e anarquistas, cristãos e budistas, fãs de hockey e loucos por NASCAR – todos nós temos alguns mitos que nos fazem parecer bons. Ateístas não são exceção.

Para mostrar que ateus são moralmente melhores que Cristãos, alguns ateus afirmam que menos de um por cento da população carcerária americana são de ateus, mesmo que ateístas representam 10% da população. Essas estatísticas são fabricadas ou baseadas num questionável estudo de 1925. Em verdade, “o segmento da população carcerária que se identifica como não-religioso é aproximadamente duas vezes mais que a encontrada na população em geral”.

Alguns ateus afirmam que muçulmanos destruíram a livraria de Alexandria, o maior tesouro de conhecimento do mundo antigo. Supostamente, o cruzado islâmico Umar proclamou que “os livros ou irão contradizer o Corão, nesse caso eles são heréticos, ou eles irão concordar com ele, neste caso eles são supérfluos,” e então queimou a livraria. Isso aparenta ser uma boa história, mas a história mostra que provavelmente não aconteceu dessa forma.

Outros ateus dizem que a idéia de Jesus como Deus não surgiu até 300 anos após a morte de Cristo, no Concílio de Nicéia. Mas ambas fontes cristãs e seculares mostram que algumas pessoas cultuavam Jesus como Deus muito antes.

E finalmente, para exagerar o conflito histórico entre religião e ciência, ateístas dizem que Galileu foi torturado pela igreja por afirmar que a terra girava em torno do sol. De fato, Galileu ofereceu falsas provas do Heliocentrismo, mentiu descaradamente na corte, e foi sentenciado a uma honrosa detenção onde ele continuou trabalhando em outros assuntos.

Esses e outros mitos ateístas emperram a busca pela verdade e a conversação entre crentes e descrentes.

Maus Estudos

Há muitos estudos desonestos tanto de ateus quanto de cristãos. Por agora, vou apontar duas instâncias de maus estudos ateístas.

Ateístas apontam que a palavra para Deus em Genesis 1:1 é elohim, o plural de el. Portanto, eles dizem, deve ser traduzido como “No princípio, os deuses criaram os céus e a terra,” revelando as raízes pagãs do Judaísmo. Agora, é provavelmente verdade que elohim foi emprestado das antigas religiões Canaanitas, onde o termo era usado para denotar um panteão de deuses. Mas nesse verso e centenas de outros, elohim é usado com um verbo singular, bara. Aqui, elohim pode ser um substantivo coletivo para um Deus singular de várias pessoas, assim como dizemos “Os Estados Unidos é cheio de pessoas gordas” em vez de “Os Estados Unidos estão…” Também, é provável uma instância de pluralidade majestática, um jeito hebreu de demonstrar grandeza por pluralizar substantivos, como em Jó 40:15 onde se refere ao Behemoth, significando a maior de todas as bestas (o singular de besta é behemah). Seria bom para ateus se o primeiro verso da bíblia traísse as origens politeístas do judaísmo, mas uma leitura cuidadosa do Hebreu não demonstra isso.

Outro exemplo. O Documentário conspiracionista Zeitgeist argumenta que Jesus foi fabricado de uma mistura de deuses antigos. Por exemplo, afirma que o deus egípcio Horus foi nascido de uma virgem, adorado por três reis, batizado na idade de 30, teve 12 discípulos, caminhou sobre as águas, foi crucificado e enterrado por três dias, e então foi ressurecto. De fato, se você ler qualquer fonte sobre Horus que não está tentando traçar paralelos com Jesus, você encontrará que aproximadamente todas essas afirmações são simplesmente falsas. Assim como maior parte das afirmações feitas nessa parte do filme. Ainda, essas afirmações são repetidas amplamente por muitos ateus, incluindo Bill Maher no seu filme Religulous.

Materialismo Dogmático

Alguns ateus começam com o pressuposto de Carl Sagan de que “o cosmos é tudo já foi, o que é e o que será”. Tudo é matéria. Nada é sobrenatural.

Eles podem estar corretos. Eu não espero encontrar evidência do sobrenatural. Mas todos precisamos estar abertos à descoberta. O Universo é um lugar surpreendente.

De fato, cientistas recentemente descobriram que apenas 4% do universo é matéria e energia – ao menos, matéria e energia como nós sempre compreendemos. Os outros 96% do universo consiste de coisas que nós não sabemos quase nada sobre – “matéria negra” e “energia negra”. Essas coisas podem não ser sobrenaturais, mas certamente é antinatural!

Lewis Thomas escreve, “A maior de todas as conquistas da ciência do século vinte foi a descoberta da ignorância humana”. Quase tudo que nós antes pensávamos que sabíamos virou falso, e nós muitas vezes descobrimos verdades que nossas intuições menosprezam. Dogmatismo e certeza absoluta não pertencem à mentes humanas limitadas.

Ateus devem olhar para a religião e ateísmo com o mesmo senso comum.

Traduzido Daqui.

Ghandi era bom?

Título Original: Era Mahatma Gandhi realmente uma boa pessoa?

Extraído do Wall Street Journal (H/T Thinking Matters New Zealand)

Excerto:

  • Ainda que recebendo créditos por liderar a independência da Índia contra a Grã Bretanha, Gandhi na verdade minou os esforços. Entre 1900 e 1922, ele suspendeu sua desobediência civil pelo menos 3 vezes, mesmo que mais de 15,000 apoiadores estivessem na cadeia pela causa. (Quando a Grã Bretanha finalmente recuou da Índia, foi principalmente motivada pelo Primeiro Ministro anti-Imperialista Clemente Attlee, e o fato de que a Grã Bretanha estava quase falida pela guerra)
  • Gandhi era perigosamente politicamente incompetente. Ele advertiu os judeus a adotar a não violência com os nazis, e escreveu uma carta a Hitler começando com as palavras “meu amigo”. Ele também aconselhou os judeus da palestina a “contar com a boa vontade dos árabes”. Afortunadamente para sua existência, os judeus o ignoraram.
  • Bem como ter chamado Hitler de amigo, Gandhi e Mussolini se deram bem quando eles se encontraram em Dezembro de 1931. Gandhi elogiou o “serviço para os pobres, sua oposição à super-urbanização, seus esforços para trazer coordenação entre capital e trabalho, e a paixão pelo seu povo” de Mussolini.
  • Gandhi foi um proeminente racista, descrevendo “o novo Kaffir” como alguém “cuja ocupação é caçar e cuja única ambição é coletar um número de gado para comprar uma esposa, e então passar sua vida em indolência e nudez,” e falando aos brancos africanos, “nós acreditamos tanto na pureza de raças como imaginamos que eles acreditam”.
  • Ele também foi um hipócrita em muitos níveis. Ele proibiu seu filho de casar com uma muçulmana mesmo publicamente promovendo a união Muçulmano-Hindu. Ele denunciava advogados, ferrovias e políticas parlamentaristas, entretanto ele era um advogado profissional que constantemente se usava de ferrovias para chegar aos encontros para argumentar que a India merecia seu próprio parlamento. E mesmo sendo conhecido por suas greves de fome, sua posição oficial era de que a greve de fome “é a pior forma de coerção, que milita contra os princípios fundamentais da não-violência” (nos quais ele cria).
  • Suas posições sobre a nudez e castidade sexual eram também contraditos pelos seu comportamento depravado: quando ele estava com 70 anos ele encorajava sua neta de 17 anos, Manu, a estar nua durante seus “aconchegos noturnos” com ele. Após dispensar vários leais e antigos membros de sua forte comitiva de 100 pessoas que poderiam desaprovar essa parte da sua “busca espiritual”, ele começou a dormir nu com Manu e outras jovens também.
  • A despeito de ser imaginado como um homem pacífico, ele era cruel e insensível. “Não haverá lágrimas mas somente alegria se amanhã eu receber as novas de que todos os três de vocês foram mortos,” ele uma vez contou a alguns de seus empregados. “A um Hindu ele uma vez disse, ” Eu não me importo se cada um das 500 famílias na sua área está prestes a morrer.” E ele forçou Manu, sua neta (lembre-se dos “aconchegos noturnos”), a caminhar por uma selva conhecida por abrigar estupradores – somente para que ela pudesse recolher uma pedra-pomes que ele gostava de usar em seus pés. Quando ela retornou chorando, ele caiu na risada e disse: “se algum rufião te tomasse e você tivesse encontrado sua morte corajosamente, meu coração haveria dançado de alegria.”
  • Em 1908 ele deixou sua esposa por um homem alemão chamado Hermann Kallenbach. Seu retrato (o único) permanece na minha cornija no meu quarto,” ele escreve a Kallenbach. “A cornija está a frente da minha cama.” Gandhi se auto-apelidou de “Casa de cima” e Kallenbach de “Casa de baixo.” Os dois juraram “mais amor, e ainda mais amor-tanto amor quanto esperavam que o mundo ainda não viu”

Pessoas se perguntam o que acontecerá às boas pessoas que nunca ouviram falar de Jesus, mas quem de nós é realmente bom? Todos necessitamos de um Salvador para ser reconciliado com Deus. Nenhum de nós é moralmente perfeito.

Mais sobre Gandhi na ABC News. Não acredite em tudo que você vê nos filmes.

Traduzido daqui.