Paradigma

Um esboço a não ser publicado.

Não à OAB

Amigos começaram a questionar o motivo pelo qual após um esforço hercúleo para me formar em Direito, não faço concursos e nem presto exame para a OAB. Muitos deles são advogados, outros pretendem prestar o exame ou concurso para juiz e não conseguem entender a razão do meu boicote, especialmente pelo prejuízo que me causa.

Confesso minha relutância em apresentar minhas razões pois justificando o difícil caminho que trilho significa que toda a construção da vida de meus amigos está errada, que seus esforços foram em uma direção longe da luz. Se escolherem ser como eu correrão o risco de perder contatos profissionais, amigos próximos e causarão sofrimento à sua família. Como meu problema com a OAB e demais concursos é ético e não de vocação, amor pela justiça ou esforço de aprendizado significa que a gravidade da minha escolha é a de um paradigma moral.

E porque é um problema ético? O funcionalismo é composto de pessoas de mentalidade amoral, pensam capitalisticamente e portanto apenas seguem suas ambições sem pensar nas consequências sociais. Quando escolhi ser cristão, escolhi dentre outras coisas seguir o resumo dos mandamentos – amar a Deus, e amar o próximo como a ti mesmo – o que inclui não somente amigos, mas também inimigos. Quando decido não fazer parte de uma instituição que prejudica a vida de milhares de brasileiros, quando escolho uma profissão que não coloque meu país na pobreza, escolho sofrer por amar essas pessoas que apesar de nunca os ter visto, é meu dever e obrigação moral amá-los.

Todo ganho enquanto protegido pelo cartel da OAB, mesmo pela mais santas das pessoas, pelos mais ardorosos críticos do exame e da instituição, é através de uma proteção legal (injusta violência) de mercado contra pessoas que como eu, sofreram para pagar uma instituição de ensino e terminaram reféns de uma instituição que pode não espancar pessoas como taxistas fazem com usuários do UBER, mas também impedem o progresso econômico do país que sem a sua tutela, e com mais liberdade, progrediria imensamente.

Se sei a verdade, como vou viver a mentira? Se sei o caminho para a prosperidade dos meus amigos e colegas, como posso lucrar contribuindo com sua miséria e achar isso aceitável?

Quando decido ser juiz, sou protegido pelo Estado brasileiro, que ao contrário de meus co-cidadãos que seguem leis trabalhistas que os impedem de enriquecer, tenho leis trabalhistas que roubam para mim cada centavo de leite de seus filhos.

O bom soldado que viu o regime de Hitler subir ao poder não pode continuar sendo um bom soldado. A direção que o país toma para essas funções está longe do amor pregado pelo evangelho. E a única direção justa para enriquecer é o trabalho, que enriquece não só o trabalhador, mas frutifica para toda a sociedade.

Isso que nem toco no mal que o positivismo é, obrigando o mais justo dos advogados a defender causas nobres com leis baseadas em meras opiniões de políticos cuja moral se baseia apenas na sua vaidade pessoal.

Bonhoeffer e Barth não precisavam ter criado uma outra igreja, uma igreja confessional, bastava ter pregado suavemente contra o ódio de dentro das igrejas nazistas alemãs. Não o fizeram pois o cristão não se une com instituições para-estatais malignas. Nesta mesma época em que homens bons eram impotentes é que nasceu a frase de Viktor Frankl “Tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher sua atitude em qualquer circunstância da vida.”

Impotentes somos, e impotentes estamos, mas não significa que Deus nos julgará maus por termos tido a força de resistir ao grande mal que somos pressionados a fazer. O diabo no monte tentou Cristo ao fazer, a ser Deus abaixo dele e salvar o mundo de suas dores, a usar seus poderes para o bem sob o poder mau de satanás, não o tentou ao não-fazer.

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