Espada

O vício mais velho e constante do pensamento liberal é a confusão entre ideais e realidades. O típico liberal entende a política como um conflito de interesses regulado por normas consensuais, que vão desde a Constituição, as leis eleitorais e o código penal até as regras de polidez. A política, nesse sentido, exclui toda forma de violência ou brutalidade, não só física como até verbal. Mas a política É isso por essência, de maneira universal e constante? Obviamente não. Por toda parte observa-se a resolução de conflitos políticos por meio da guerra civil, do genocídio, da corrupção, do assassinato de reputações etc. O liberal, portanto, toma como definição objetiva o que é na verdade apenas a expressão de um ideal e desejo. Quando ele diz “a política”, deveria dizer “a boa política, no meu enteder”. Pior: esquece que, nos raros casos em que esse ideal chegou a realizar-se, foi por meio de algum tipo de violência inaugural que instaurou o reino da convivência pacífica por meio da liquidação física dos inimigos da nova ordem. O belo modelo anglo- anglo-saxônico, no qual com freqüência os liberais tão deleitosamente se inspiram, jamais teria se implantado sem a Guerra de Independência, nos EUA, e o morticínio estatal dos católicos, na Inglaterra. Na realidade histórica, a política só pode ser descrita objetivamente mediante uma inversão da fórmula de Clausewitz: não é a guerra que é uma continuação da política por outros meios, mas sim a política que é uma continuação da guerra por outros meios, quando não pelos mesmos.

A política PODE, em certos casos, apoximar-se daquilo que o liberal quer e imagina que ela seja, mas, quando isso acontece, é no mais das vezes por meios opostos e hostis a esse mesmo ideal.

O.d.C.

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