Bom Ladrão

Não desejo comentar corrupção na coluna por crer que a equipe como um todo tem o assunto exaurido de trás para frente, mas o slogan de que a corrupção é culpa da sociedade é errada e nada mais é que o transporte do slogan que joga todo crime de roubo e assassinato na vítima para o argumentação política.

O argumento assume que os corruptos representam a sociedade, ou seja, nós temos uma perfeita democracia mesmo sem a presença de uma direita. E também assume que o socialismo funcionaria se não houvesse corrupção, que é uma doutrina tão bela quanto o cristianismo, que há pecadores e necessita de santos.

Primeiro, os corruptos não representam a parte da sociedade que não votou neles. Se vivemos em uma democracia, esse raciocínio é simplesmente lógico. Culpar toda a sociedade portanto é excluir a existência de uma oposição e aceitar como bom todos os abusos que evitaram que houvesse um contraditório, um freio ao totalitarismo.

Segundo, é mais que conhecido que uma pequena elite midiática e universitária de esquerda cria e decide os profissionais políticos no país. Eles sim estão sendo bem representados e agora como se sentem avatares da vontade popular querem culpar a sociedade. É a ideologia deles que conta, não o que o povo eventualmente deseje. Exemplo disso é a intensa luta do povo contra as instituições para que sua vontade de cortar a cabeça da presidente seja concretizada.

Terceiro, uma ideologia que justifique o roubo é má. Só existe bom e mau ladrão quando crucificados. Aceitando uma vez o roubo ético, por variadas necessidades, é quase impossível que o corsário eleito não queira uma parte do espólio. Entretanto, seria roubo mesmo se o corsário fosse um político impoluto como Hitler e outros esquerdistas. E é por causa de Hitler, Pol Pot e outros que sabemos que mesmo com líderes incorruptíveis, o comunismo não funciona.

Como os valores da sociedade nunca se transmitiram ao poder público – Explico que nossos avós que viveram no campo trabalhavam na extrema pobreza sem dependência do governo e sem roubar – é difícil culpar todos e portanto, não culpar ninguém.

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