Ciberpopulismo

De dancinhas em talkshows à aparições em entrevistas com humoristas, Obama tenta lá ser o que Putin conseguiu ser com seu macho attitude e Bolsonaro conseguiu ser aqui, um meme. O ciberpopulismo transforma o político em celebrity-in-chief, e aparições com humoristas que se oferecem de saco de pancadas no caso americano e demais caricaturas saem do controle e se tornam cada vez mais exigências populares. O problema jamais é ser caricatura, que nem pensantes do porte de Platão e Aristóteles escaparam ao jogar futebol em sketches, ou filósofos existencialistas deixaram de jogar monopólio em webcomics, o problema é se tornar voto de protesto, o macaco tião da direita, quando o brasileiro já elegeu e se decepcionou com seu último voto de protesto que foi Lula.

Bolsonaro, enquanto caricatura ou não, emperrou diversos projetos caricatos da esquerda enquanto esteve no legislativo, sua mudança para o executivo é um erro estratégico, tanto em tomar votos de quem já pertence à máquina executiva aos quais o eleitor tende e votar (vide que todo canditado do GOP é governador e raramente um legislador) como em deixar em branco sua cadeira para ser ocupada por um esquerdista caricato qualquer. Que Bolsonaro, assim como Bush com sua fama de cowboy texano, e Reagan como ator hollywoodiano, tem uma imagem fácil de atingir, não vem ao caso, é conservador demais ir a luta sabendo que o mundo é imperfeito e nos dá ferramentas imperfeitas, imagine que um ator derrubou Stalin e a URSS no seu melhor, mas enquanto os primeiros eram bem guiados pela intelectualidade de direita da época (os intelectuais não gostam e nem tem talento para candidatar-se), Bolsonaro não tem o devido suporte (Olhe para os livros da recém-nascida direita anglo-brasileira), sendo fruto de seus inimigos que são as estruturas midiáticas da esquerda e o ranço anti-político do brasileiro (que espera que políticos os mime e os ame), sua chance de vitória com eleitores reais é meramente virtual.

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