A Tolice do Ressentimento

Por Theodore Dalrymple

Há um grupo de pessoas ao qual é moralmente permissível odiar, e quem nesses tempos de códigos de liberdade de expressão é permitido ou até obrigatório falar odiosamente: nomeadamente, o rico. Isso é estranho quando um pensa sobre, pois resentimento econômico foi ultimamente o responsável por mais mortes no último século que ódio racial. Entretanto ser racista é colocar a si mesmo fora da paleta de uma sociedade decente; ser um igualitário econômico é estabelecer sua generosidade de espírito e profundo senso de justiça.

Talvez isso é assim porque as recompensas do mundo não são distribuídas de acordo com a idéia geral de como ela deveria ser distribuída; isso é dizer, de acordo com a escala individual de valores de qualquer um. Elas parecem ser outorgadas por capricho e não de acordo com mérito. Alguns, é claro, meramente herdaram sua riqueza; outros conquistaram de maneiras nas quais não aprovamos ou até mesmo desprezamos. Nem todos os ricos são bem-comportados; de fato, eles podem ser sem tato, ofensivos, vulgares e de mal-gosto. Quando o sr. Ambani construiu seu arranha-céu doméstico em Bombay eu estava espantado não pelo seu gasto (Eu havia até caminhado pelas favelas da cidade) mas pela completa nulidade estética do que ele construiu. Gastar um bilhão de dólares em uma casa e se desviar um pouco da beleza do mundo, é, de alguma maneira, uma façanha; mas uma das funções do rico é a de preservar e aumentar esta beleza. Estes dias eles não fazem um bom trabalho, os ricos esses dias parecem não ter mais bom gosto que o pobre. Alguém só precisa considerar os preços do mercado de arte para entender que de todas as qualidades pessoais, bom gosto é o mais raro.

Ainda, ódio ao rico, que pessoas não hesitam de expressar como se uma virtude fazê-lo, se apoiam fundamentalmente em duas emoções humanas conectadas, ambas não atraentes: inveja e ressentimento. Também se baseia na noção primitiva de que economia é como um bolo de tamanho fixo a ser cortado de acordo com algum plano, justo ou injusto conforme o caso. Nessa visão, um pedaço na boca de um homem é um pedaço tomado de outro. Pobreza é o resultado, então, de riqueza: que é verdadeiro o suficiente se pobreza é definida como certa percentagem de renda comum ou mediana, como é muitas vezes feito. Se você define pobreza como uma ausência de subsistência ou até relaxo, o resultado é outro.

Na França, o Presidente Hollande, que durante sua campanha disse (como se fosse sinal de decência) que ele não gostava do rico – o rico claro sendo aqueles que tem mais dinheiro que ele – impôs um imposto de 75% em pessoas ganhando mais de um milhão de euros ($1.3. milhões) por ano. Inicialmente, a Corte Constitucional rejeitou esse imposto porque a constituição proíbe impostos confiscatórios (França tem uma história desafortunada na matéria de confisco), mas o presidente manteve seus tão-aclamados “princípios”, ao menos até as eleições, e tributou as companhias que pagavam seus empregados mais de um milhão de euros por ano.

Isso enraiveceu os times de futebol franceses, que pagavam muitos de seus jogadores mais de um milhão de euros por ano. Os times de futebol estavam entrando em greve, pois eles não poderiam pagar seus jogadores mais do que aquela quantia, os melhores deles iriam simplesmente ir jogar em países vizinhos.

O regime de pão e circo que é agora reinante na maioria dos países ocidentais é perigosamente dependente da estabilidade de seu circo, e de todos os circos o futebol europeu é de longe o mais importante. O Times de Londres, por exemplo, devota muito mais espaço ao futebol que notícias estrangeiras, e nenhuma figura pública arriscaria mostrar um desinteresse em futebol por medo de parecer Inimigo do Povo. Quando eu ouço conversas nas ruas, futebol rivaliza em importância com affairs românticos. Uma greve de times de futebol portanto é uma matéria séria, se durasse até ou resultasse em dano permanente ao padrão jogado, poderia levar à rebelião social.

Seria desonesto se eu não admitisse que eu acho a quantia de dinheiro pago à esportistas grotesco; mas seus salários, temo, são um reflexo da importância que milhões de meus companheiros cidadãos dão aos esportes. Objecionar a seu salário alto é portanto, objecionar o gosto das massas, no qual seus salários altos são meramente um reflexo. Pessoalmente eu preferiria que as massas tivessem mais gosto pelos meus livros e artigos.

A julgar pelo comentários dos sites franceses (que parecem em harmonia com pesquisas de opinião), o público francês é muito a favor de impostos altos em futebolistas, cujos salários eles resentem até mesmo enquanto é seu próprio interesse, e até obsessão, o futebol que conduz esses salários. (Nós pensamos do Francês como uma nação de intelectuais marginais, mas o jornal diário de esportes, L’ Équipe [O Time] tem uma circulação maior que qualquer jornal de notícias nacional diário, e um que se mantém firme, não como outros jornais)

Porque os franceses – 80% deles, de acordo com pesquisas – querem que os futebolistas sejam mais altamente tributados? Aqui está um comentário típico, embora mais bem articulado que o normal: Si, si il faut tenir sur les 75% et aider les nécessiteux avec l’argent des vaniteux et des footeux. (Sim, sim, nós precisamos apoiar os 75% [tributos] e ajudar os necessitados com o dinheiro dos almofadinhas e jogadores de futebol.)

O efeito do resentimento na racionalização de um homem perfeitamente inteligente é evidente. Primeiro ele assume que a economia é um bolo que pode ser redistribuído sem nenhum efeito sobre o tamanho do bolo a ser distribuído; e segundo ele supõe que o euro tomado pelo estado dos bolsos de um futebolista vai direto para o bolso, sem nenhuma dedução de um estado ineficiente ou ganancioso, dos necessitados (isso é dizer, em um país como a França, aqueles que querem uma TV plana mais larga do que eles já possuem, ou o último iPhone)

O imposto de 75% apela à emoções baixas similares ao racismo: Eu sou pobre porque eles estão tomando de mim algo que eu mereço ter. Era usado dizer que o anti-Semitismo é o socialismo dos tolos, mas o socialismo é o anti-Semitismo dos intelectuais.

Traduzido Daqui.

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