Rico

Mesmo levando por hipótese que o sucesso governamental seja verídico e não mera propaganda realizada com o dinheiro dos pobres, é de se imaginar que o esquema seja mesmo assim imoral, fundado na escravização do produtivo que transfere sua cruz para o preço do produto, mantendo-o inacessível aos de poucos recursos financeiros condicionando-o eternamente à pobreza e dependência de ajuda governamental: o governo pode tirar 30 reais de alguém que ganha 100 que não lhe fará muita falta, mas o de quem ganha 50 com certeza lhe doerá. Como a população brasileira está longe de ser sueca, o socialismo é feito majoritariamente com o dinheiro de quem precisa de dinheiro, e o invejado rico brasileiro vive como pobre, e o pobre é forçado à extrema pobreza, um país rico não significa um país de ricos, logo que alguém vê que está saindo da carroça para o cabresto, recusa-se. O rico, forçado a ter poucos recursos para expressar sua criatividade, não pode se dar ao luxo da falha que lhe é fatal, não pode sequer mesmo ter força econômica para representar a nação no mercado internacional, necessitando do governo para proteger-se da competição de países mais liberais, e tendo seu negócio destruído pelas contingências do mercado em um ambiente tão nocivo à pequenas imperfectibilidades, o governo daí se aproveita do rancor que criou para fornecer o sonho paradisíaco de um mundo sem a opressão do dinheiro.

A vantagem capitalista é, como não há monopólio, a margem de lucro do capitalista é reduzida pelo outro capitalista, seu adversário, em justa competição na qual devido à performance pode-se reduzir ainda mais o preço, portanto o lucro equilibra-se em vantagem dos pobres, porém nada pode fazer quanto ao lucro do Estado: o imposto, que é visto como um auxiliar na sua expansão triunfante para suprimir a existência do livre mercado, que quanto mais pás se arruma para cavar buracos e ministérios para tapá-los, mais alardeia esforço para agradar torcedores que irão às urnas cobrar mais onipresença. Como o Estado jamais trabalha de forma eficiente para reduzir impostos pelo monopólio que sustenta, aumenta seu apetite taxativo para tapar o patrocínio da preguiça, quebra a si mesmo na curva de Laffer, enquanto parasitas de cada classe lutam internamente por um pouco de sangue do contribuinte, em campanha ao político que ajuda a sugar mais, o contribuinte apenas sonha em se tornar parasita e abandonar seu estágio: melhor ser vampiro que vítima.

Por isso a esperteza brasileira é uma idiotice, mas a ganância governamental não possui fim enquanto monopólio isolado em ilhas soberanas longe do atrito à nível transgovernamental, coisa que o euro tentou abafar, e a esperteza brasileira faz através da cartelização, pois o brasileiro agora tem de pagar imposto também à Cuba, como o socialismo é a distribuição de renda da sociedade para o Estado, e não da sociedade para a sociedade, o esquema fecha-se perfeitamente para a felicidade dos que fazem do Estado sua principal fonte de renda.

Anúncios