Ativismo

Abandonei o ativismo quando reconheci que a sociedade já foi revolucionada, pela fraqueza apologética dos fundamentos e pressupostos das aspirações espirituais a que fora fundada, não há causa nobre em simplesmente enriquecer um povo hedonista que mata bebês na justificativa que todo julgamento condenatório é hipócrita, os assassinos sinceros, naturais e honestos como qualquer serial killer, estão em postos de virtude erguidos em sua própria lama. Antes de uma liberação econômica, há de libertá-los dos cativeiro do pecado, e a esse serviço, só à espada.

Sim, a espada, aquela espada que de tanto cortar tornou o valor da tríade fato-valor-norma valores cristãos adotados até por não cristãos, e portanto a fonte da normatização ocidental, não veio sem espada o reconhecimento posterior de muitos males, como a escravidão, posições outrora aceitáveis foram repudiadas violentamente com efetividade. Não é com espanto que saímos da barbárie por um momento e estamos retornando, conforme a espada afrouxa, com nossas prisões desejando serem asilos, hospitais, colégios, playgrounds, e quando não se pune, se educa, afinal aplicar uma condenação e pagar uma multa de cinco centavos por cada vítima falecida não tem muita diferença, e a mensagem é clara: a vida do marginal vale mais que a da vítima. O bandido profissional, contrário a aquele que poderia ser recuperado, o acidental, volta a sociedade não arrependido mas com o passado esquecido, e seu desígnio foi realizado, com a vítima sendo ofertada em sacríficio ao Estado. Só regojizo que o débito não quitado, é com o doador da vida, que não tardará em exigir o justo pago.

Por não ter esperança percebo certa liberdade, e com ela a tolerância e o descanso mental, em não ter de selecionar nem vigiar amigos que possam condenar-me por associação, deixo o cargo do encontro à espontaneidade, em não contar com protestos e nem bandos afim de atrair atenção e fama à causa, mas com a autoridade que recebo por alguma inspiração que advém de muita observação, estou apto até a certas especulações exóticas, dada minha insignificância de fringe. Meu dilema político é somente o cuidado com meu posicionamento social e histórico numa sociedade ideologicamente corrompida, mas estou livre do maquiavelismo quando não ofertei minha mente à coletividade.

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